CURSOS DO ICP-RJ

Os cursos oferecidos pelo ICP-RJ, dentro das XXVIII Jornadas Clínicas da EBP-Rio e ICP-RJ – Nomes da vida: marcas da pandemia, acontecerão simultaneamente, no dia 26/11, de 9h às 12h. Cada eixo de orientação das Jornadas abrigará um curso diferente, que deverá ser escolhido no ato de inscrição nas Jornadas.

 

EMENTAS

 

Eixo 1: Psicanálise e formação

Curso: O sujeito engolido pelo objeto
Professoras: Ângela Negreiros e Sandra Viola

O que nos diz a clínica do humor nestes tempos inquietantes? Traremos para nossa apresentação um recorte baseado em dizeres bem conhecidos de Freud e Lacan, sobre um tipo particular de humores: os “sombrios”.

“A sombra do objeto recai sobre o próprio eu”;

“O estranho familiar”;

“A angústia não é sem objeto”.

Depressão, luto e melancolia estão em relação direta com uma perda. Após aproximá-los, Freud os difere radicalmente pela resposta que dão à perda do objeto. Veremos também que, entre Freud e Lacan, há uma diferença, que se apresenta na angústia. Para Freud, nela haveria uma falta de objeto, enquanto, para Lacan, trata-se da presença do objeto.

Que perdas ou encontros cada sujeito revive no nosso hoje, pandêmico, tão Unheimlich, o estranho familiar, inquietante? O que cada um que nos procura faz com isso? Que bússola, GPS ou placa giratória usa? Sintoma, fobia, atuações, invenções? Na clínica do luto, o analista opera, na transferência, na direção de relançar o objeto de desejo. Aqui, com a passagem do tempo e o trabalho psíquico, esse objeto vivifica novamente o mundo, seus objetos e plasticidade. Na clínica da melancolia, porém, o analista terá que se haver com um sujeito engolido pelo objeto. Lacan diz que o objeto está fora da cena do mundo – o que torna seu trabalho uma operação que pede muitas e variadas tentativas na direção de abrir um espaço entre o sujeito e o objeto que carrega dentro de si.

Usaremos também filmes conhecidos para ilustrar esses trabalhos que o sujeito empreende com seus encontros e desencontros.

 

Bibliografia

FREUD, S. (1895) “Rascunho G: melancolia”. In: Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, Vol. I. Rio de Janeiro: Imago, 1988.
______. (1917) “Luto e melancolia”. In: Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, Vol. XIV. Rio de Janeiro: Imago, 1988.
______. (1926) “Inibição Sintoma e Angústia”. In: Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, Vol. XX. Rio de Janeiro: Imago, 1988.
LACAN, J. (1962-63) O Seminário, livro 10: A Angústia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2005.
MILLER, J.A. La angustia Lacaniana. Buenos Aires: Paidós, 2013.
VIOLA, S. Transitoriedade e Contingência. Dissertação de mestrado. 2008.

 

Eixo 2: O real e o virtual

Curso: Sobre os laços e os corpos na era da internet
Professores: Rodrigo Lyra e Renata Martinez

Para o ser falante, não há um modo natural de se relacionar com os outros, de criar uma identidade, de lidar com o corpo. Tudo depende do seu contexto, do espírito do tempo, enfim, de suas circunstâncias. Nas últimas décadas, um longo processo histórico de fragilização das referências tradicionais passou a ser acompanhado e acelerado por uma invenção tecnológica: a internet. Hoje, quase todos os aspectos da vida são influenciados ou estruturados pelos aplicativos e algoritmos que tecem a grande rede. Nesse breve curso, não queremos usar a psicanálise para falar sobre a internet. Ideias gerais acerca de uma tecnologia múltipla e instável, com usos infinitamente variados, tenderiam ao reducionismo. Buscaremos, no entanto, elucidar alguns efeitos sensíveis das ferramentas digitais, recolhidos na clínica e nos dilemas sociais, que nos ajudem, quem sabe, a apurar os ouvidos.

A bibliografia será divulgada nos próximos boletins.

Eixo 3: Arte e artifícios

Curso: Escrita vida: testemunhos de tempos pandêmicos
Professores: Ana Lucia Lutterbach e Isabel do Rêgo Barros Duarte

O eixo temático “Arte e artifícios”, proposto por Cristina Duba e Andréa Vilanova, nos convida a falar sobre “como, para além de qualquer ficção, recriar em ato uma recomposição da vida, a partir da vida online?” Mas também sobre a vida que “transcorre offline, nos assombros da morte e no descaso”.
Com esta instigante pergunta, pretendemos explorar o tratamento dado ao real pela escrita, sua arte e artifícios nesses tempos. Sendo a escrita justamente uma forma de fazer marca, escolhemos essa via para nos perguntar sobre as “marcas da pandemia”, como propõe o título de nossas Jornadas. Pretendemos abordar esse tema trazendo alguns escritos deste período de pandemia, além da escrita de casos que testemunham a prática analítica neste momento, com seus desafios, impasses e invenções.

A escrita do testemunho como tentativa de transmitir algo do impossível de dizer nos parece pertinente para abordar a experiência dos tempos da pandemia, quando fomos todos tomados, e cada um à sua maneira, por algo antes inimaginável.

Em nosso encontro, tentaremos responder à pergunta proposta no eixo: “Como apelar para os próprios artifícios, sempre singulares, para lidar com as contingências de existir nesses tempos?”

 

Bibliografia

 

CIXOUS, H.; BEGER, A. E. “Como todo mundo”. In: Latusa. nº25. Rio de Janeiro: Escola Brasileira de Psicanálise – Seção Rio, 2020.

DURAS, M. (1933) Escrever (Trad.: Rubens Figueiredo). Rio de Janeiro: Rocco, 1994.

FREUD, S. (1930) “O Mal estar na civilização”. In: Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, Vol. XXXI. Rio de Janeiro: Imago, 1974.

LACAN, J. (1975-1976) O seminário, livro Livro 23: o sinthoma. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2007. Stein”.  In: Outros escritos. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2001.

. LAURENT, É. O Relato do caso, crise e solução. 2003. Acesso em <http://ea.eol.org.ar/03/pt/template.asp?textos/txt/relato_caso.html>

. MILLER, J.-A. (2002-2003) Los Cursos Psicoanalíticos de Jacques-Alain Miller: Un Esfuerzo de poesia.  Buenos Aires: Paidós, 2016.

 

 

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