{"id":57868,"date":"2024-09-18T17:19:39","date_gmt":"2024-09-18T20:19:39","guid":{"rendered":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2024\/?p=57868"},"modified":"2024-09-18T17:19:39","modified_gmt":"2024-09-18T20:19:39","slug":"nos-analistas-sem-forma-articuladores-por-um-triz-do-ser-e-do-um","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2024\/nos-analistas-sem-forma-articuladores-por-um-triz-do-ser-e-do-um\/","title":{"rendered":"N\u00f3s, analistas, sem forma, articuladores por um triz do Ser e do Um"},"content":{"rendered":"<h6><strong><em>Ana Beatriz Zimmermann Guimar\u00e3es<\/em><\/strong><\/h6>\n<p>Gostaria primeiramente de agradecer o convite do conselho da EBP-Rio, especialmente a Andrea Reis. Para mim \u00e9 uma satisfa\u00e7\u00e3o e um entusiasmo compor essa mesa ao lado da Andrea, Maricia, R\u00f4mulo, que nos assiste pelo Zoom, e com voc\u00eas no Semin\u00e1rio de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana.<\/p>\n<p>Como comentar um texto t\u00e3o bem escrito, como o da Maricia, no qual ela articula com precis\u00e3o os textos do Miller (a li\u00e7\u00e3o 11 do \u201cSer e o Um\u201d) e do Ram Mandil (\u201cTrauma e acontecimento de corpo\u201d)? N\u00e3o se trata de dar nem a \u00faltima palavra, nem acreditar na totalidade de uma \u00faltima vers\u00e3o de um texto, nem dizer algo necessariamente original, mas sim de tentar contribuir com uma discuss\u00e3o que j\u00e1 est\u00e1 acontecendo em nossa comunidade.<\/p>\n<p>Antes de adentrarmos nos textos mencionados, gostaria de retomar algumas frases que escutei na \u00faltima preparat\u00f3ria que ocorreu no dia 17 de agosto, rumo ao pr\u00f3ximo Encontro Brasileiro de Campo Freudiano, que acredito que possam contribuir com o nosso trabalho de hoje e com o tema das nossas Jornadas: \u201cA palavra e a pedra: interpreta\u00e7\u00e3o em an\u00e1lise\u201d.<\/p>\n<p>Agrade\u00e7o a Ana Thereza e Marcus pelos coment\u00e1rios da preparat\u00f3ria que retomo a seguir:<\/p>\n<p>Se Ser e Um est\u00e3o em planos distintos, como conect\u00e1-los? Sem os ditos e o enredo, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel se aproximar do que itera. A interpreta\u00e7\u00e3o como acontecimento pode resguardar o lugar do imposs\u00edvel da complementariedade (da n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o sexual) e isso incide nos discursos. E acrescento: incide no la\u00e7o social. Formulo: em nossa opera\u00e7\u00e3o, a anal\u00edtica, se trata de produzir um dizer do real da n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o sexual. Como traduzir isso ao mundo sem nos aprisionarmos na repeti\u00e7\u00e3o dos conceitos?<\/p>\n<p>Marcus nesse dia destacou a import\u00e2ncia de circunscrevermos de que binarismo falamos e penso ser importante n\u00e3o ficarmos no binarismo do Ser ou Um. E o mais precioso, segundo Marcus, a meu ver: n\u00e3o somos her\u00f3is do furo, furando o discurso do mestre. Gosto de pensar no conceito de letra na via de que ela sustenta, circunscreve o Um do gozo de cada ser falante. Quais s\u00e3o as letras privilegiadas que comp\u00f5em a gram\u00e1tica pulsional daqueles que nos procuram? Essas devem ser produzidas durante uma an\u00e1lise. A intepreta\u00e7\u00e3o \u00e9 a\u00e7\u00e3o por excel\u00eancia onde essas letras podem ser apontadas, destacadas, durante uma an\u00e1lise. Discurso anal\u00edtico \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o e assim incide no coletivo, nas cidadezinhas que cada ser falante carrega com seus corpos pelas ruas.<\/p>\n<p>Maricia destaca em seu escrito que hoje nos propomos a passar do Ser ao Um. No momento de produzir o mosaico anal\u00edtico, como bem nos recorda Maricia, n\u00e3o usamos primeiro a nossa argamassa como sujeitos e nem, segundo, fazemos desaparecer a fenda que essas pedras mosaicas produzem ao se unirem. Quebra-cabe\u00e7a mosaico que nunca se completa, que n\u00e3o tem o S2 que daria o \u00faltimo sentido ou a pe\u00e7a que faria o encaixe perfeito.<\/p>\n<p>Diz ela: \u201cNosso rejunte no universo anal\u00edtico \u00e9 de outro tipo; ele se coloca entre duas dimens\u00f5es heterog\u00eaneas, desniveladas, que para se articularem exigem a presen\u00e7a de um vazio que permita a circula\u00e7\u00e3o entre elas, espa\u00e7o em que o analista se posiciona, espa\u00e7o para a interpreta\u00e7\u00e3o e para o objeto\u201d.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o a esse ponto levantado por Maricia, destaco uma frase de minha colega de coordena\u00e7\u00e3o de Jornadas, Isabel do R\u00eago Barros, na noite de lan\u00e7amento das Jornadas, que conversa com o que sublinhou Maricia: \u201cA interpreta\u00e7\u00e3o, entendo, seria o que requer supor aberto e, ao mesmo tempo, o que abre o intervalo entre corpo e discurso, fazendo entrar o arejamento do semblante. Podemos vislumbrar a\u00ed os efeitos desse arejamento n\u00e3o s\u00f3 para um sujeito, mas tamb\u00e9m no la\u00e7o social\u201d. Abrir m\u00e3o da necessidade n\u00e3o \u00e9 produzir esse arejamento?<\/p>\n<p>Maricia destaca a passagem precisa do texto do Miller: \u201cDiga-me sem floreios o que voc\u00ea pensa, sem fazer arranjos, de um jeito bruto, de algum modo selvagem\u201d. \u201cO que assim voc\u00ea disser, seja sua verdade\u201d. Essa verdade \u00e9 m\u00f3bil, adorei essa palavra quando a li. M\u00f3bil no sentido que \u00e9 mentirosa, que varia, mas tamb\u00e9m j\u00e1 \u00e9 uma pergunta para a Maricia \u2013 se esse m\u00f3bil engendraria a mobilidade necess\u00e1ria, o movimento para irmos ent\u00e3o do Ser ao Um do gozo? Essa \u00e9 a proposta da noite, como frisou Maricia no in\u00edcio de sua leitura.<\/p>\n<p>Agora, destaco um par\u00e1grafo de que gostei muito na constru\u00e7\u00e3o da Maricia, no qual ela coloca a t\u00f4nica no Um, na exist\u00eancia, mas sem retirar apressadamente os holofotes da verdade mentirosa, ou do deciframento do inconsciente, eu acrescentaria. (Sem, ent\u00e3o, resolver um suposto binarismo e, sim, na enuncia\u00e7\u00e3o de Maricia aparece a valiosa tens\u00e3o entre esses dois conceitos.)<\/p>\n<p>Nas palavras dela: <strong>\u201cA verdade mentirosa \u00e9 a via de acesso ao real, n\u00e3o vamos a lugar algum sem ela (pelo menos n\u00e3o no campo da neurose)\u201d<\/strong>. Indo rapidamente para o final do texto de Maricia, ela diz: <strong>\u201c\u00c9 preciso passar pelos desvios prometidos pela dial\u00e9tica e pela sem\u00e2ntica\u201d<\/strong>. A rota do ser desemboca na fantasia, pelo menos nos casos de neurose, e nos d\u00e1 um vetor sobre a pergunta do sujeito: quem sou? O ser se articula ao objeto, na constru\u00e7\u00e3o fantasm\u00e1tica, e assim se inclui no que se sup\u00f5e ser para o Outro. Dessa montagem fantasm\u00e1tica se extrai uma satisfa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 avan\u00e7ando um pouco mais em seu texto, Maricia situa que existe, claramente, algo que vai para al\u00e9m do ser. Na frase de Miller: \u201c[&#8230;] o sintoma n\u00e3o \u00e9 uma forma\u00e7\u00e3o da fala\u201d. Essa frase \u00e9 contundente, merece uma pausa. Ent\u00e3o, o sintoma vai para al\u00e9m das forma\u00e7\u00f5es do inconsciente, dos atos falhos, dos sonhos \u2013 o que n\u00e3o quer dizer que tudo isso terminou! Isso se trans-formou. Da forma\u00e7\u00e3o do inconsciente \u00e0 produ\u00e7\u00e3o do inconsciente.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao UM gozo, Maricia nos diz: <strong>\u201cA an\u00e1lise confronta o analisante<\/strong> com o que resta mais al\u00e9m da queda do objeto <em>a<\/em>, ela o confronta com o Um do gozo\u201d (cap. 11. p. 4). E nos pergunta e, aqui, convido ao debate: <strong>\u201cE onde encontramos esse resto mais al\u00e9m da queda do objeto <em>a<\/em>?<\/strong> Pergunto: esse resto n\u00e3o est\u00e1 de alguma maneira desde o princ\u00edpio, quando pensado, por exemplo, nesse conceito de acontecimento de corpo? Em que alguns significantes chocam o corpo e marcam uma forma de existir, sempre \u00fanica, um gozo idiota, o mais singular.<\/p>\n<p>Aqui uma frase que privilegio do texto de Maricia: \u201cO sintoma tomado por essa perspectiva obriga a introduzir a inst\u00e2ncia da escrita no campo da linguagem devido a sua perman\u00eancia (cap. 11. p. 4).<strong> E isso que permanece depois da verdade \u00e9 aquilo que inaugura o corpo\u201d<\/strong>. Essa frase n\u00e3o seria uma poss\u00edvel resposta para a pergunta que ela mesma fez acima: <strong>\u201conde encontramos esse resto mais al\u00e9m da queda do objeto <em>a<\/em>?\u201d<\/strong>. Quando se inaugura um corpo, porque sabemos que n\u00e3o se \u00e9 um corpo. Ou seja, essa inaugura\u00e7\u00e3o se d\u00e1 na medida em que se traumatiza o corpo de forma singular. O que dialoga com o que Maricia destaca da express\u00e3o de Miller: \u201csemel factivo\u201d. E nas palavras de Ram no seu texto \u201cTrauma e acontecimento de corpo\u201d: \u201cEsse acontecimento de corpo est\u00e1 associado a um gozo experimentado como desviante em rela\u00e7\u00e3o a um suposto gozo natural do corpo\u201d. (p. 74).<\/p>\n<p>Maricia se pergunta se \u00e9 poss\u00edvel acessar aquilo que esfola, esfrega, rala, faz atrito, fura, manuseia a carne? Sem pretender responder, mas j\u00e1 tentando, parece-me que o que esfola \u00e9 esse gozo opaco para qual o analista d\u00e1 lugar e traduz por um triz ao anunciar ao sujeito os S1s que est\u00e3o vetorizados por esse gozo, que o sujeito sabe sem saber. Lacan ensina no <em>Semin\u00e1rio 20<\/em>: \u201cA experi\u00eancia anal\u00edtica encontra a\u00ed seu termo, pois tudo o que ela pode produzir, segundo minha escrita, \u00e9 S1\u201d (p. 126).<\/p>\n<p>Parece-me ensinante a diferencia\u00e7\u00e3o que Ram faz entre: as <strong>diferentes vers\u00f5es para o mesmo acontecimento<\/strong>. Maricia j\u00e1 comentou cada uma das vers\u00f5es e apenas reitero que se trataram da \u201cnecessidade de introduzir um elemento no interior do outro\u201d. A conting\u00eancia que, com a montagem fantasm\u00e1tica, vira um destino necess\u00e1rio e que se cria o Outro cruel para n\u00e3o deixar o vazio aberto, pulsante. \u201cN\u00e3o h\u00e1 um vazio em meu corpo, eu mesmo o habito, na forma do clandestino\u201d. Tamb\u00e9m destaco a interpreta\u00e7\u00e3o do analista que <strong>aponta<\/strong> para a mochila: \u201cEis a mochila (<em>sac \u00e0 dos<\/em>) do clandestino, sempre pesada. Esse aponta me parece importante, o corpo do analista entra apontando, junto com as palavras e, como ensina Lacan, \u201cperturba a defesa\u201d.<\/p>\n<p>Ram formula dessa forma: \u201c[&#8230;] um impacto sobre a defesa\u201d. Um apontar para a mochila pesada. Entretanto, n\u00e3o seria precisamente com o gesto do analista apontando para o vazio\/Um do gozo singular? Assim tamb\u00e9m com esse gesto, significante e corpo se encontram. Perturba\u00e7\u00e3o da defesa que lhe permitir\u00e1 leveza e uma plasticidade ao saco, ao corpo. N\u00e3o mais o automatismo do S2 \u2013 \u201ch\u00e1 um vazio em seu corpo e ele deve ser preenchido\u201d.<\/p>\n<p>Perturbar a defesa \u00e9 um outro estilo de interpreta\u00e7\u00e3o? \u00c9 ir para al\u00e9m da interpreta\u00e7\u00e3o? Reconfigura a interpreta\u00e7\u00e3o de alguma maneira? Talvez possamos nos aprofundar melhor nesse ponto nas pr\u00f3ximas Jornadas. Por agora, vou me estender s\u00f3 em um ponto. Se a interpreta\u00e7\u00e3o recai sobre o que foi recalcado e, assim, simb\u00f3lico, a defesa, tem a ver com o gozo e perturb\u00e1-la significa que o analista fa\u00e7a aparecer o real desse gozo em jogo. E do lado do analisante se trata de consentir com o sem sentido do sintoma, com o n\u00e3o todo desse gozo, com o vazio singular.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, para acessar esse gozo disse Lacan: \u201c[&#8230;] n\u00e3o existe meio de fazer de outro jeito do que receber de um psicanalista o que abala sua defesa\u201d.<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[i]<\/a> A defesa qualifica a rela\u00e7\u00e3o inaugural do sujeito com o real\u201d. A defesa me pareceu uma pedra preciosa, j\u00e1 em Freud, que \u00e9 uma maneira de lidar com o quantum de energia que vai para al\u00e9m da representa\u00e7\u00e3o. Para perturbar a defesa \u00e9 preciso mais do que palavras. \u00c9 preciso que o analista opere com o pr\u00f3prio corpo como agente do trauma. Perturbar a defesa seria uma forma de destacar, em cada an\u00e1lise, a pedra imposs\u00edvel de negativizar?<\/p>\n<p>E aqui destaco o que, a meu ver, \u00e9 uma das frases mais importantes do texto de Maricia: \u201cVejam [que] o<strong> Um<\/strong> que estamos perseguindo ao longo deste ano se apresenta aqui, portanto <strong>como vazio<\/strong>. N\u00e3o um vazio qualquer. Um vazio que faz parte, que est\u00e1 l\u00e1 presente; um vazio que existe como presen\u00e7a n\u00e3o cont\u00e1vel. \u00c9 isso o acontecimento de corpo\u201d.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, trata-se de um vazio n\u00e3o cont\u00e1vel, j\u00e1 que n\u00e3o entra nos discursos, mas que se transmite. Vazio n\u00e3o cont\u00e1vel no conjunto, apenas como subconjunto. Aqui, temos ent\u00e3o o UM e o vazio articulados. Para mim essa forma que Maricia articulou ressoou como nova. O vazio como cheio de gozo, de algo de vida que n\u00e3o cabe no relato da vida, um vazio presente, n\u00e3o qualquer vazio, como lembrou Maricia.<\/p>\n<p>Jacques-Alain Miller em seu curso \u201cTodo mundo \u00e9 louco\u201d (2015) nos diz:<\/p>\n<blockquote><p>Como interpretamos o que ocorre dentro do que se costuma chamar uma situa\u00e7\u00e3o, um dispositivo ou uma experi\u00eancia? Tudo isso \u00e9 a interpreta\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise. A obra de Freud, o ensino de Lacan, \u00e9 da ordem da interpreta\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise. \u00c9 um fato not\u00e1vel, massivo, evidente, tanto em Freud como em Lacan, que esta interpreta\u00e7\u00e3o se transforma ao longo do tempo. [&#8230;] Freud n\u00e3o parou de produzir artigos, livros e confer\u00eancias em um cont\u00ednuo movimento. E esse movimento se acentuou com Lacan, quem se obrigou a interpretar a psican\u00e1lise semanalmente durante 30 anos, sem nunca depor as armas e nem dizer, j\u00e1 est\u00e1, chegamos ao destino. [&#8230;] Interpretar a psican\u00e1lise com o passe, sem d\u00favida, \u00e9 a maior interpreta\u00e7\u00e3o que deu \u00e0 psican\u00e1lise. Interpretou que a psican\u00e1lise deveria ter um final, que permitiria passar do registro da palavra ao registro do gozo [&#8230;]. (MILLER, 2015, p. 228)<\/p><\/blockquote>\n<p>Miller, na confer\u00eancia de encerramento da I Jornada de Psican\u00e1lise, de Val\u00eancia<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[ii]<\/a> em 1993, insistiu que n\u00f3s analistas \u201cn\u00e3o temos forma\u201d, dessa forma, estamos dispon\u00edveis para a fantasia dos pacientes e abertos \u00e0 conting\u00eancia do novo.<\/p>\n<p>Leonardo Gorostiza em seu texto \u201cO gn\u00f4mon do psicanalista\u201d (<em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana online<\/em>, ano 2, n\u00famero 4, mar\u00e7o 2011) diz:<\/p>\n<blockquote><p>Acredito ent\u00e3o que podemos afirmar que o gn\u00f4mon do psicanalista \u2013 singular a cada an\u00e1lise \u2013 n\u00e3o passa de um significante-mestre do gozo produzido na experi\u00eancia anal\u00edtica. Como tal, ele n\u00e3o se reduz ao falo imagin\u00e1rio, ao -phi correlato \u00e0 fic\u00e7\u00e3o da lei edipiana. Essa produ\u00e7\u00e3o, que difere da forma que se repete nas forma\u00e7\u00f5es do inconsciente transferencial, \u00e9 o que ocasiona uma efic\u00e1cia \u201cadvertida\u201d do sujeito, advertida \u2013 do imposs\u00edvel \u201ccal\u00e7amento\u201d que h\u00e1 entre o verdadeiro e o real.<\/p><\/blockquote>\n<p>Adorei a express\u00e3o \u201cefic\u00e1cia advertida\u201d do sujeito, n\u00e3o se trope\u00e7a j\u00e1 no mesmo lugar.<\/p>\n<p>O produto do inconsciente n\u00e3o conserva a forma, difere da forma\u00e7\u00e3o do inconsciente. O produto, ent\u00e3o, se trans-forma, n\u00e3o estava anteriormente no Outro. N\u00e3o h\u00e1 cal\u00e7amento entre verdadeiro e real, entre Ser e Um. Mas paradoxalmente, penso, ao mesmo tempo que pergunto, se podemos dizer que h\u00e1 uma articula\u00e7\u00e3o entre Ser e Um, pois algo do Um passa a estar de alguma forma no la\u00e7o social em um segundo tempo. Por exemplo, o produto \u201cclandestino\u201d j\u00e1 \u00e9 algo que repetimos. Ainda que se repita (nos testemunhos, hoje \u00e0 noite), podemos pensar que origina uma rela\u00e7\u00e3o completamente diferente com a necessidade, ou seja, uma nova rela\u00e7\u00e3o com a repeti\u00e7\u00e3o, como nos demonstra Ram.<\/p>\n<p>Para concluir, como saldo de saber, fica para mim que n\u00f3s, analistas, podemos produzir da boa maneira, arejada, a efic\u00e1cia advertida dos sujeitos.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[i]<\/a> LACAN, J. (1976-1977), Li\u00e7\u00e3o de 11 de janeiro de 1977.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[ii]<\/a> \u201cAssuntos de fam\u00edlia no inconsciente\u201d. Extra\u00eddo originalmente da confer\u00eancia de encerramento da I Jornada de Psican\u00e1lise, Val\u00eancia, Espanha, maio 1993.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Beatriz Zimmermann Guimar\u00e3es Gostaria primeiramente de agradecer o convite do conselho da EBP-Rio, especialmente a Andrea Reis. Para mim \u00e9 uma satisfa\u00e7\u00e3o e um entusiasmo compor essa mesa ao lado da Andrea, Maricia, R\u00f4mulo, que nos assiste pelo Zoom, e com voc\u00eas no Semin\u00e1rio de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana. 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