{"id":57782,"date":"2024-08-12T05:52:05","date_gmt":"2024-08-12T08:52:05","guid":{"rendered":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2024\/?p=57782"},"modified":"2024-08-12T08:41:48","modified_gmt":"2024-08-12T11:41:48","slug":"bibliografia-comentada-maria-angela-maia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2024\/bibliografia-comentada-maria-angela-maia\/","title":{"rendered":"Bibliografia Comentada: Maria Angela Maia"},"content":{"rendered":"<p style=\"padding-left: 120px;\">\u201cH\u00e1 frequentemente uma passagem, mesmo no sonho mais completamente interpretado, que tem de ser deixada obscura; isto se deve a que, durante o trabalho de interpreta\u00e7\u00e3o, damo-nos conta de que neste ponto existe uma meada de pensamentos on\u00edricos que n\u00e3o pode ser desemaranhada e que, al\u00e9m disso, n\u00e3o acrescenta nada a nosso conhecimento. Este \u00e9 o ponto central [umbigo] do sonho, o ponto de onde ele mergulha no desconhecido\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>FREUD, S. (1900). A interpreta\u00e7\u00e3o dos sonhos. In<em>: Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas, vol. V<\/em>. Rio de Janeiro: Imago, 1996. cap. VII. p. 560.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nessa cita\u00e7\u00e3o fundamental, Freud verifica a presen\u00e7a de um ponto central \u2013 o umbigo do sonho \u2013 por meio do qual o sonho se liga ao desconhecido, ali onde falta qualquer representa\u00e7\u00e3o e de onde se eleva o pr\u00f3prio desejo do sonho. Assim balizado, Lacan trabalha com duas vias da intepreta\u00e7\u00e3o, uma de amplifica\u00e7\u00e3o do sentido que se expande tal como o <em>micelium<\/em> do sonho, outra de redu\u00e7\u00e3o de sentido, orientada para o encontro com o real por tr\u00e1s da falta de representa\u00e7\u00e3o. A interpreta\u00e7\u00e3o buscaria a fala plena, ao inv\u00e9s da fala vazia, que se encontra presa no movimento espiral da demanda meton\u00edmica infinita de sentidos. Em suma, a interpreta\u00e7\u00e3o visaria liberar a petrifica\u00e7\u00e3o do enunciado no significante e a assun\u00e7\u00e3o do desejo escondido atr\u00e1s das demandas, isto porque visaria o ponto de aus\u00eancia que causa a pr\u00f3pria meton\u00edmia do desejo \u2013 o objeto causa de desejo.<\/p>\n<p>Com o aforismo \u201ca interpreta\u00e7\u00e3o deve incidir sobre a causa do desejo\u201d, Lacan designa a causa dos ditos e dos atos do sujeito, ou seja, o que provoca a pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o de sentido, mas permanecer\u00e1 inapreens\u00edvel. Aqui, duas vias de entendimento para a interpreta\u00e7\u00e3o s\u00e3o poss\u00edveis: a primeira, diz respeito ao significante S<sub>1\u00a0<\/sub>\u2013 significante uniano, sozinho, isolado \u2013 que n\u00e3o induz ao sentido \u2013, diferenciando-se, assim, do significante un\u00e1rio que impele \u00e0 articula\u00e7\u00e3o a outro significante S<sub>2.<\/sub> A primeira via indica o lugar de um \u201cgozo opaco, por excluir o sentido\u201d, que repercute no corpo sem enla\u00e7ar-se a qualquer ordem significante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cH\u00e1 frequentemente uma passagem, mesmo no sonho mais completamente interpretado, que tem de ser deixada obscura; isto se deve a que, durante o trabalho de interpreta\u00e7\u00e3o, damo-nos conta de que neste ponto existe uma meada de pensamentos on\u00edricos que n\u00e3o pode ser desemaranhada e que, al\u00e9m disso, n\u00e3o acrescenta nada a nosso conhecimento. 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