{"id":57686,"date":"2024-07-08T12:11:30","date_gmt":"2024-07-08T15:11:30","guid":{"rendered":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2024\/?page_id=57686"},"modified":"2024-10-01T11:41:26","modified_gmt":"2024-10-01T14:41:26","slug":"referencias-comentadas","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2024\/referencias-comentadas\/","title":{"rendered":"Refer\u00eancias Comentadas"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<blockquote><p><strong>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, n. 79, julho 2018., p.60, S\u00e3o Paulo, E\u00f3lia.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cPara dar conta da efic\u00e1cia da interpreta\u00e7\u00e3o, Lacan acaba formulando a exist\u00eancia de um efeito de sentido real. [&#8230;] Essa interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 da ordem de uma tradu\u00e7\u00e3o por acr\u00e9scimo de um S2 em rela\u00e7\u00e3o a um S1. \u00c9 a interpreta\u00e7\u00e3o que n\u00e3o visa \u00e0 concatena\u00e7\u00e3o ou \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de uma cadeia significante.\u201d LAURENT, \u00c9ric. \u201cDisrup\u00e7\u00e3o do gozo nas loucuras sob transfer\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ondina Machado YT 1\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9-DKl5fiqvE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_separator color=&#8221;chino&#8221; border_width=&#8221;3&#8243; css=&#8221;&#8221;][vc_empty_space][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<blockquote><p><strong>Miller, J-A. \u201cA\u00a0Palavra\u00a0que\u00a0fere\u201d. Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, n\u00ba 56\/57, 2010.<\/strong><\/p>\n<p>A interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 um talvez;\u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o de um \u201ch\u00e1\u201de na extremidade de um \u201cn\u00e3o h\u00e1\u201d. Trata-se menos de mostrar alguma coisa do que de uma aus\u00eancia, que \u00e9 de estrutura: imposs\u00edvel de dizer.<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Coment\u00e1rio por: Jos\u00e9 Marcos Moura (EBP\/AMP)<\/strong><\/p>\n<p><em>A extra\u00e7\u00e3o nas palavras das pedras da interpreta\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/p>\n<p>Nos s\u00e9culos XVI e XVII, nos pa\u00edses baixos, existia um procedimento farsesco, uma \u201ccirurgia\u201d em p\u00fablico, uma grande encena\u00e7\u00e3o, conhecida como retirada da pedra da loucura. Estes espet\u00e1culos foram retratados por v\u00e1rios artistas da \u00e9poca,\u00a0 Pieter Huys, Pieter Bruegel, Pieter Quast, Hieronymus Bosch. A mais conhecida delas est\u00e1 no museu do Prado, realizada entre 1475-1480\u00a0 por Hieronymus Bosch, uma obra pict\u00f3rica inclu\u00edda em um conjunto de obras burlescas e sat\u00edricas, que se chama &#8220;A extra\u00e7\u00e3o da pedra da loucura\u201d.A proposta neste coment\u00e1rio \u00e9, utilizando este \u201cextra\u00e7\u00e3o da pedra\u201d como m\u00e9todo, propor um outro sintagma,\u00a0 <em>a extra\u00e7\u00e3o nas palavras das pedras da interpreta\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/p>\n<p>Esta extra\u00e7\u00e3o, \u00e9 comum a todos n\u00f3s, que a tudo interpretamos. Somos verdadeiras m\u00e1quinas de interpretar, m\u00e1quinas de extra\u00e7\u00e3o nas palavras das pedras da interpreta\u00e7\u00e3o, ser\u00e3o m\u00e1quinas paran\u00f3icas? A \u201cpedra\u201d da interpreta\u00e7\u00e3o, como comenta Tarrab,<em> \u00e9 retirada entre o del\u00edrio e a fic\u00e7\u00e3o. Sempre o resultado de nossa debilidade mental, frente ao abrupto da exist\u00eancia, como dizia Lacan, \u201cfrente ao real, o mental \u00e9 d\u00e9bil\u201d.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup><strong>[1]<\/strong><\/sup><\/a><\/em><\/p>\n<p>As pedras da interpreta\u00e7\u00e3o extra\u00eddas das palavras, continuando com Tarrab \u00e0 minha maneira, quando se tratam de interpreta\u00e7\u00f5es anal\u00edticas, elas encontram-se tanto do lado do deciframento quanto do lado ciframento. O que a extra\u00e7\u00e3o das pedras da interpreta\u00e7\u00e3o na psican\u00e1lise faz \u00e9 \u201c<em>reduzir, devastar, enfraquecer, desinflar, reduzir ao essencial, o del\u00edrio ou a fic\u00e7\u00e3o&#8221;<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup><strong>[2]<\/strong><\/sup><\/a><\/em>. Onde colocamos a interpreta\u00e7\u00e3o? Do lado do decifrar ou do cifrar? A escolha \u00e9 de cada analista a cada momento. Como Miller enfatiza no artigo citado \u201ca interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ser ensinada, copiada, repetida, a interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 matematiz\u00e1vel\u201d o que Tarrab conclui : <em>frente <\/em><em>\u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o somos todos principiantes.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup><strong>[3]<\/strong><\/sup><\/a><\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em>Nem todas as pedras da interpreta\u00e7\u00e3o retiradas das palavras s\u00e3o elementos de um conjunto, algumas s\u00e3o cifras, s\u00e3o partes, n\u00e3o s\u00e3o elementos de um conjunto. S\u00e3o tigres azuis como extraiu Borges no conto com este t\u00edtulo.<\/p>\n<p>Borges escreve que um professor de l\u00f3gica, estudioso de Spinoza, que gosta de tigres e sonha frequentemente com eles, sonhou com tigres azuis, <em>\u201cTigres de um azul que jamais havia visto e para o qual n\u00e3o encontrei a palavra justa\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup><strong>[4]<\/strong><\/sup><\/a><\/em>. Este professor escoc\u00eas que se muda para a \u00cdndia, um outro mundo dentro do mundo. Encontra nas selvas da \u00cdndia, um outro mundo dentro de um outro mundo, dentro de um mundo. L\u00e1 no delta do Ganges, em uma aldeia na selva. Mais precisamente em uma colina ao lado desta aldeia, habitam os tigres azuis. Nesta colina ele encontra o azul brilhante dos seus sonhos,\u00a0 aqueles para os quais n\u00e3o encontrou palavra justa, mas n\u00e3o s\u00e3o tigres, s\u00e3o pedras azuis. Pequenas pedras circulares, todas iguais azuis que brilham na escurid\u00e3o. Em um \u00edmpeto, apanha um punhado delas e as coloca no bolso. De volta a sua casa examina o monte de suas pedras,\u00a0 resolveu cont\u00e1-las, conta feita, contou-as novamente, e de novo; o resultado nunca \u00e9 o mesmo. As pedras se multiplicam e se dividem alheias \u00e0s leis da f\u00edsica. A cont\u00ednua e incessante contagem das pedras apura in\u00fameros resultados diferentes que v\u00e3o de 3 pedras a 417 pedras. \u201c<em>Eu olhava fixamente para uma delas, recolhia-a com o polegar e o indicador e depois de separada ela ficava sendo muitas.\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup><strong>[5]<\/strong><\/sup><\/a><\/em><\/p>\n<p>Estas pedras azuis que algumas vezes extra\u00edmos enquanto analistas, \u201cque lemos no que se diz\u201d, que lemos no ciframento da fala. Esta escrita que implica a homofonia, a gram\u00e1tica e a l\u00f3gica, mas n\u00e3o a l\u00f3gica aristot\u00e9lica, com seu princ\u00edpio da n\u00e3o contradi\u00e7\u00e3o. Estas pedras azuis incont\u00e1veis, que n\u00e3o s\u00e3o elementos de um conjunto, mas partes de um conjunto, abrigadas no conjunto vazio. Presentificados pela letra, os tigres azuis aparecem, n\u00e3o-elementos de um conjunto, situados no conjunto vazio, um conjunto que n\u00e3o possui elementos.<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Uso, como voc\u00eas j\u00e1 perceberam, esta bela fic\u00e7\u00e3o de Borges, para falar do real, para falar do gozo, do puro real, na express\u00e3o de Horne, <em>o existir<\/em>.<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>\u00a0Este existir, esta subst\u00e2ncia gozante apontada no sintagma tigres azuis. \u201cO<em>nde <\/em><em>est\u00e1 o real em meio \u00e0s criaturas das palavras que a psican\u00e1lise convoca?\u201d<\/em>, pergunta Tarrab citando Miller.<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Horne se pergunta: \u201c c<em>omo se pode estabelecer um gozo sem significante, um puro existir, no \u00e2mbito de uma opera\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica?\u201d<\/em>\u00a0 e continua\u00a0 citando Lacan no semin\u00e1rio 20, \u201co<em> que\u00a0 s\u00f3 existe ao n\u00e3o ser. O significante paga com seu ser de significante pelo direito de existir. (&#8230;) Um existir que n\u00e3o \u00e9 o de significante mas de puro gozo, uma subst\u00e2ncia gozante.\u201d<\/em> <a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>E \u00e9 Miller que enuncia: interpreta\u00e7\u00e3o anal\u00edtica \u00e9 apof\u00e1tica<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\"><sup>[10]<\/sup><\/a>, do grego ap\u00f3phasis ou ap\u00f3phemi, isto \u00e9, algo sem predicados. Enunciar a interpreta\u00e7\u00e3o anal\u00edtica como apof\u00e1tica, \u00e9 uma tentativa de descrev\u00ea-la como o que ela n\u00e3o \u00e9. Ou a impossibilidade de dizer o que ela \u00e9. Fazer da linguagem express\u00e3o vis\u00edvel do invis\u00edvel. A imagem de uma experi\u00eancia que culmina na aus\u00eancia de toda imagem, na exclus\u00e3o de qualquer media\u00e7\u00e3o.<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\"><strong><sup>[11]<\/sup><\/strong><\/a><\/p>\n<p>Algo que \u201c<em>\u00e9 de Estrutura imposs\u00edvel de dizer\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>\u00a0Tarrab, M. \u201cQue interpretacion?\u201d El decir Y lo real. Editora Grama 2023<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>\u00a0Ibidem<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>\u00a0Ibidem<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>\u00a0Borges J. L. \u201cNove ensaios dantescos &amp; a memoria Shakespeare. Cia das Letras<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>\u00a0Ibidem<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>\u00a0Vieira, M. A. Preparat\u00f3ria para o XXV Encontro Brasileiro do Campo Freudiano, na EBP Rio de Janeiro. YouTube Canal EBP RIO 2024<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>\u00a0Horne, B. \u201cCapitulo 2\u201d O Campo Uniano, Editora Ares 2022<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>\u00a0Tarrab, M. \u201cPrologo\u201d O Campo Uniano, Editora Ares 2022<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>\u00a0Horne, B \u201cCapitulo 2\u201d ) campo Uniano Editora Ares 2022<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\"><sup>[10]<\/sup><\/a>\u00a0Miller, J-A. A\u00a0Palavra\u00a0que\u00a0fere\u201d. Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, n\u00ba 56\/57, 2010<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\"><sup>[11]<\/sup><\/a>\u00a0(Neoplatonismo e est\u00e9tica apof\u00e1tica: considera\u00e7\u00f5es a partir da abstra\u00e7\u00e3o.\u00a0 Cunha Bezerra, C. <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=jvy5Ei-IzwY&amp;t=871s\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=jvy5Ei-IzwY&amp;t=871s<\/a><\/h6>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_separator color=&#8221;chino&#8221; border_width=&#8221;3&#8243; css=&#8221;&#8221;][vc_empty_space][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<blockquote><p>\u201cN\u00e3o \u00e9 porque eu disse que o efeito de interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 isolar no sujeito um cora\u00e7\u00e3o, um kern, para exprimir como Freud, de nonsense, que a interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 ela pr\u00f3pria um nonsense.<\/p>\n<p><strong>J. Lacan. O Semin\u00e1rio, livro 11. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, p. 236, 1988.<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Coment\u00e1rio por: Andr\u00e9a Reis Santos (EBP\/AMP)<\/strong>[\/vc_column_text][vc_video link=&#8221;https:\/\/youtu.be\/yCW3O5N0y5s&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_separator color=&#8221;chino&#8221; border_width=&#8221;3&#8243; css=&#8221;&#8221;][vc_empty_space][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<blockquote><p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cDigamos que, no investimento de capital da empresa comum, o paciente n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico com dificuldades a entrar com sua quota. Tamb\u00e9m o analista tem que pagar: &#8211; pagar com suas palavras, sem d\u00favida, se a transmuta\u00e7\u00e3o que elas sofrem pela opera\u00e7\u00e3o anal\u00edtica as eleva a seu efeito de interpreta\u00e7\u00e3o:..\u201d <a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>(pg. 593)<\/p>\n<p><strong>LACAN, J. A Dire\u00e7\u00e3o do tratamento e os princ\u00edpios do seu poder (1958). In: <em>Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Coment\u00e1rio por: Gl\u00f3ria Maron (EBP\/AMP)<\/strong><\/p>\n<p>Palavra e linguagem s\u00e3o dois termos chave do ensino inaugural de Lacan e est\u00e3o presentes no escrito \u201cDire\u00e7\u00e3o do Tratamento e os princ\u00edpios do seu poder\u201d. Esse texto, conserva a sua import\u00e2ncia e atualidade para a orienta\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica do analista, quando Lacan retorna a Freud para abordar o fundamento da palavra na experi\u00eancia anal\u00edtica. Lacan amplifica o que costumamos no dia a dia sustentar: a experi\u00eancia anal\u00edtica opera pela palavra. Longe de ser uma rela\u00e7\u00e3o dual, a palavra \u00e9 um elemento importante na <em>situa\u00e7\u00e3o anal\u00edtica, <\/em>dominada \u00e0 \u00e9poca desse escrito, pela vertente imagin\u00e1ria na pr\u00e1tica anal\u00edtica dos p\u00f3s-freudianos<em>.<\/em> Nesse texto, no que tange \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o enquanto t\u00e1tica, Lacan sustenta que o analista se apresenta mais livre quanto ao momento, ao n\u00famero e \u00e0 escolha de suas interven\u00e7\u00f5es. Todavia, para que a palavra do analista possa adquirir efeito de interpreta\u00e7\u00e3o, adverte Lacan, a transmuta\u00e7\u00e3o da palavra n\u00e3o \u00e9 dada pela pessoa do analista, mas \u00e9 atravessada necessariamente pelo lugar que a transfer\u00eancia confere ao analista<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>. Sua advert\u00eancia avan\u00e7a na dire\u00e7\u00e3o de distinguir uma interven\u00e7\u00e3o \u201cesclarecedora\u201d, carregada de sentido e que se coloca a servi\u00e7o de tamponar e contribuir para o fechamento do inconsciente, de uma interpreta\u00e7\u00e3o e seu efeito de abertura<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>, que preserva que h\u00e1 um indiz\u00edvel na experi\u00eancia anal\u00edtica.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 regras para a interpreta\u00e7\u00e3o, mas como aponto o escrito, h\u00e1 princ\u00edpios que orientam a pr\u00e1tica do psicanalista. Podemos deixar em aberto uma afirma\u00e7\u00e3o sutil e ir\u00f4nica de Lacan, que, de certo modo, comporta um enigma:\u201cUma interpreta\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode ser exata se for.. uma interpreta\u00e7\u00e3o\u201d.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><\/a><\/p>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> LACN, J. A Dire\u00e7\u00e3o do Tratamento e os princ\u00edpios do seu poder. Em: Escritos. Zahar: Rio de Janeiro. 1998. P. 593<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> ________P. 597<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> ________P. 599<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> ________P. 607<\/h6>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_separator color=&#8221;chino&#8221; border_width=&#8221;3&#8243; css=&#8221;&#8221;][vc_empty_space][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Se nas descri\u00e7\u00f5es da t\u00e9cnica anal\u00edtica se fala t\u00e3o pouco sobre &#8216;constru\u00e7\u00f5es&#8217;, isso se deve ao fato de que, em troca, se fala nas &#8216;interpreta\u00e7\u00f5es&#8217; e em seus efeitos. (&#8230;) Interpreta\u00e7\u00e3o aplica-se a algo que se faz a algum elemento isolado do material, tal como uma associa\u00e7\u00e3o ou uma parapraxia. Trata-se de uma constru\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, quando se p\u00f5e perante o sujeito da an\u00e1lise um fragmento de sua hist\u00f3ria primitiva, que ele esqueceu (&#8230;)&#8221;<\/p>\n<p><strong>Freud, S. (1937). Constru\u00e7\u00f5es em an\u00e1lise. Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud, v. 23, Rio de Janeiro: Imago, p. 279, 1996.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p>https:\/\/youtu.be\/JsjhHncTFII[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_separator color=&#8221;chino&#8221; border_width=&#8221;3&#8243; css=&#8221;&#8221;][vc_empty_space][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<blockquote><p>\u201cH\u00e1 frequentemente uma passagem, mesmo no sonho mais completamente interpretado, que tem de ser deixada obscura; isto se deve a que, durante o trabalho de interpreta\u00e7\u00e3o, damo-nos conta de que neste ponto existe uma meada de pensamentos on\u00edricos que n\u00e3o pode ser desemaranhada e que, al\u00e9m disso, n\u00e3o acrescenta nada a nosso conhecimento. Este \u00e9 o ponto central [umbigo] do sonho, o ponto de onde ele mergulha no desconhecido\u201d.<\/p>\n<p><strong>FREUD, S. (1900) A interpreta\u00e7\u00e3o dos sonhos. In<em>: Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas, Vol V<\/em>. Rio de Janeiro: Imago, cap VII, p.560, 1996.<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Coment\u00e1rio p<\/strong><strong>or: Maria Angela Maia (EBP\/AMP)<\/strong><\/p>\n<p>Nesta cita\u00e7\u00e3o fundamental, Freud verifica a presen\u00e7a de um ponto central \u2014 o umbigo do sonho \u2014 por meio do qual o sonho se liga ao desconhecido, ali onde falta qualquer representa\u00e7\u00e3o e de onde se eleva o pr\u00f3prio desejo do sonho. Assim balizado, Lacan trabalha com duas vias da intepreta\u00e7\u00e3o, uma de amplifica\u00e7\u00e3o do sentido que se expande tal como o <em>micelium<\/em> do sonho, outra de redu\u00e7\u00e3o de sentido, orientada para o encontro com o real por tr\u00e1s da falta de representa\u00e7\u00e3o. A interpreta\u00e7\u00e3o buscaria a fala plena, ao inv\u00e9s da fala vazia, que se encontra presa no movimento espiral da demanda meton\u00edmica infinita de sentidos. Em suma, a interpreta\u00e7\u00e3o visaria liberar a petrifica\u00e7\u00e3o do enunciado no significante e a assun\u00e7\u00e3o do desejo escondido atr\u00e1s das demandas, isto porque visaria o ponto de aus\u00eancia que causa a pr\u00f3pria meton\u00edmia do desejo \u2014 o objeto causa de desejo.<\/p>\n<p>Com o aforismo \u201ca interpreta\u00e7\u00e3o deve incidir sobre a causa do desejo\u201d, Lacan designa a causa dos ditos e dos atos do sujeito, ou seja, o que provoca a pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o de sentido, mas permanecer\u00e1 inapreens\u00edvel. Aqui, duas vias de entendimento para a interpreta\u00e7\u00e3o s\u00e3o poss\u00edveis: a primeira, diz respeito ao significante S<sub>1\u00a0<\/sub>\u2014 significante uniano, sozinho, isolado \u2014 que n\u00e3o induz ao sentido, diferenciando-se assim do significante un\u00e1rio que impele \u00e0 articula\u00e7\u00e3o a outro significante S<sub>2.<\/sub> A segunda via indica o lugar de um \u201cgozo opaco, por excluir o sentido\u201d, que repercute no corpo sem enla\u00e7ar-se a qualquer ordem significante.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_separator color=&#8221;chino&#8221; border_width=&#8221;3&#8243; css=&#8221;&#8221;][vc_empty_space][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<strong>Coment\u00e1rio por: Ana Lucia Lutterbach (EBP\/AMP)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>&#8220;A interpreta\u00e7\u00e3o incide sobre a causa do desejo, como formulei na \u00e9poca [refer\u00eancia \u00e0 formula\u00e7\u00e3o feita na li\u00e7\u00e3o de 06\/06\/62], causa que ela revela, e isso pela demanda, que envelopa com seu modal o conjunto dos ditos&#8221; (LACAN, J. O aturdito [1972]. In: Outros Escritos. Rio de Janeiro: Zahar, p. 474).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p>https:\/\/youtu.be\/GBGTWiikNu0[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_separator color=&#8221;chino&#8221; border_width=&#8221;3&#8243; css=&#8221;&#8221;][vc_empty_space][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<strong>Coment\u00e1rio por: Rodrigo Lyra (EBP\/AMP)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>\u201cNa medida que o paciente investe o analista, no duplo sentido de investimento e investidura, mais al\u00e9m inclusive do que ele pode saber disso, e lhe endere\u00e7a um \u2018voc\u00ea \u00e9 meu analista\u2019, este pode lhe responder com um: Eu o sou. A entrada em an\u00e1lise, como escans\u00e3o, quer ela seja ou n\u00e3o marcada pela passagem para o div\u00e3, \u00e9 uma interpreta\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Miller, J-A. &#8220;Em vista da sa\u00edda&#8221;. Em: Como terminam as an\u00e1lises: paradoxos do passe. Rio de Janeiro: Zahar, 2023, p. 93.<\/p><\/blockquote>\n<p>https:\/\/youtu.be\/i0GP67VI50A[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_separator color=&#8221;chino&#8221; border_width=&#8221;3&#8243; css=&#8221;&#8221;][vc_empty_space][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<strong>Coment\u00e1rio por: Angela Batista (EBP\/AMP)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>\u201cDisso resulta, acrescentei depois, mas sem efeitos, que \u00e9 em <em>lal\u00edngua<\/em> que opera a interpreta\u00e7\u00e3o &#8211; o que n\u00e3o impede que o inconsciente seja estruturado como uma linguagem, uma dessas linguagens nas quais \u00e9 justamente assunto dos linguistas convencer de que <em>lal\u00edngua<\/em> \u00e9 animada\u201d. (p.21).<\/p>\n<p>LACAN, J. A Terceira [1974]. In: <em>Op\u00e7\u00e3o lacaniana.<\/em> Revista Internacional da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, n. 62. S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es E\u00f3lia, 2011.<\/p><\/blockquote>\n<h6><\/h6>\n<p>[\/vc_column_text]<style type=\"text\/css\" data-type=\"the7_shortcodes-inline-css\">#default-btn-d861526f0a89180b930fd553ff12dd2e.ico-right-side > i {\n  margin-right: 0px;\n  margin-left: 8px;\n}\n#default-btn-d861526f0a89180b930fd553ff12dd2e > i {\n  margin-right: 8px;\n}\n<\/style><a href=\"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2024\/comentario-por-angela-batista-ebp-amp\/\" class=\"default-btn-shortcode dt-btn dt-btn-s link-hover-off btn-inline-left \" id=\"default-btn-d861526f0a89180b930fd553ff12dd2e\" title=\"Coment\u00e1rio por: Marcus Andr\u00e9 Vieira (EBP\/AMP)\"><span>Leia mais<\/span><\/a>[\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_separator color=&#8221;chino&#8221; border_width=&#8221;3&#8243; css=&#8221;&#8221;][vc_empty_space][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<strong>Coent\u00e1rio por: Marcus Andr\u00e9 Vieira (EBP\/AMP)<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>\u201cO dizer da an\u00e1lise, na medida em que \u00e9 eficaz, realiza o apof\u00e2ntico, que por sua simples ex-sist\u00eancia, distingue-se da proposi\u00e7\u00e3o. Assim \u00e9 que coloca em seu lugar a fun\u00e7\u00e3o proposicional, posto que, como penso haver mostrado, ela nos d\u00e1 o \u00fanico apoio que supre o ab-senso da rela\u00e7\u00e3o sexual. Esse dizer renomeia-se a\u00ed pelo embara\u00e7o que deixam transparecer campos t\u00e3o dispersos quanto o or\u00e1culo e o fora-do-discurso da psicose, atrav\u00e9s do empr\u00e9stimo que lhes faz do termo interpreta\u00e7\u00e3o.\u201d (O aturdito, p. 492)<\/p>\n<p>LACAN, J. O aturdito [1972]. In: <em>Outros escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar, 2003.<\/p><\/blockquote>\n<p>[\/vc_column_text]<style type=\"text\/css\" data-type=\"the7_shortcodes-inline-css\">#default-btn-7c9e55b31f3e7cf6dc241e8960ae36d4.ico-right-side > i {\n  margin-right: 0px;\n  margin-left: 8px;\n}\n#default-btn-7c9e55b31f3e7cf6dc241e8960ae36d4 > i {\n  margin-right: 8px;\n}\n<\/style><a href=\"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2024\/comentario-por-marcus-andre-vieira-ebp-amp\/\" class=\"default-btn-shortcode dt-btn dt-btn-s link-hover-off btn-inline-left \" id=\"default-btn-7c9e55b31f3e7cf6dc241e8960ae36d4\" title=\"Coment\u00e1rio por: Marcus Andr\u00e9 Vieira (EBP\/AMP)\"><span>Leia mais<\/span><\/a>[\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;] Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, n. 79, julho 2018., p.60, S\u00e3o Paulo, E\u00f3lia. \u201cPara dar conta da efic\u00e1cia da interpreta\u00e7\u00e3o, Lacan acaba formulando a exist\u00eancia de um efeito de sentido real. [&#8230;] Essa interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 da ordem de uma tradu\u00e7\u00e3o por acr\u00e9scimo de um S2 em rela\u00e7\u00e3o a um S1. \u00c9 a interpreta\u00e7\u00e3o que n\u00e3o&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-57686","page","type-page","status-publish","hentry","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/57686","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=57686"}],"version-history":[{"count":36,"href":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/57686\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57959,"href":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/57686\/revisions\/57959"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=57686"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}