{"id":57555,"date":"2024-05-25T05:59:21","date_gmt":"2024-05-25T08:59:21","guid":{"rendered":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2024\/?page_id=57555"},"modified":"2024-05-27T05:17:46","modified_gmt":"2024-05-27T08:17:46","slug":"eixo-3-consentimento-e-recusa-ao-inconsciente","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2024\/eixos-tematicos\/eixo-3-consentimento-e-recusa-ao-inconsciente\/","title":{"rendered":"EIXO 3: CONSENTIMENTO E RECUSA AO INCONSCIENTE"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;50px&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<h6><em>Cristina Frederico<br \/>\n<\/em><em>Sarita Gelbert<\/em><\/h6>\n<p>Os significantes mestres que ordenavam nosso mundo e serviam de par\u00e2metro para a produ\u00e7\u00e3o dos ideais v\u00eam se proliferando e sofrendo mudan\u00e7as que afetam os la\u00e7os e o modo de produzir sintoma. Quais seriam os efeitos cl\u00ednicos com as mudan\u00e7as de discurso e com o avan\u00e7o do capitalismo? Como o analista pode fazer parceria com os sujeitos que recusam o trabalho do inconsciente e provocar ali um consentimento?<\/p>\n<p>Basta estar em an\u00e1lise para se ter a experi\u00eancia da recusa ao inconsciente. No entanto, em alguns casos, a recusa torna-se impedimento em seguir na associa\u00e7\u00e3o livre. A psicose \u00e9 o exemplo cl\u00ednico paradigm\u00e1tico da recusa em consentir com a perda de gozo constitutiva do sujeito. Mas, n\u00e3o s\u00f3. O recha\u00e7o ao inconsciente recai tamb\u00e9m nos casos em que h\u00e1 a recusa na cess\u00e3o do objeto de gozo em favor da satisfa\u00e7\u00e3o ininterrupta e insepar\u00e1vel do corpo, seja ela pela hiperconex\u00e3o, via aparelhos tecnol\u00f3gicos, pelo abuso de droga nas toxicomanias, pelo excesso de comida na obesidade e, como nos diz Domenico Cosenza, em todos os \u201csintomas que assumem pr\u00e1ticas de gozo corporal em circuito fechado, desconectado do Outro e sem sentido\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, como na anorexia. No mundo em que h\u00e1 um abalo na fun\u00e7\u00e3o reguladora do Ideal do Eu, a adolesc\u00eancia se revela como momento privilegiado para a manifesta\u00e7\u00e3o desses sintomas e para se experimentar uma esp\u00e9cie de distopia, o que torna dif\u00edcil para os adolescentes desenharem seu futuro. A recusa ao inconsciente e ao estatuto do Outro se manifesta tamb\u00e9m no imposs\u00edvel de se representar de uma experi\u00eancia traum\u00e1tica.<\/p>\n<p>O sintoma inaugural da psican\u00e1lise pede decifra\u00e7\u00e3o ao Outro e um alcance metaf\u00f3rico da linguagem. O sintoma hist\u00e9rico fala, pois se endere\u00e7a ao Outro, \u201cembora seja fundado sobre a escrita de um tra\u00e7o\u201d.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> As respostas de uma an\u00e1lise se evidenciam no tra\u00e7ado significante das marcas inconscientes em uma esp\u00e9cie de escrita do gozo. Como ent\u00e3o intervir e sustentar um lugar para essas marcas que insistem, quando n\u00e3o h\u00e1 a cren\u00e7a no inconsciente ou quando se ouve a redu\u00e7\u00e3o do dizer pelo dito? Esses impasses presentes na cl\u00ednica exigiriam uma interpreta\u00e7\u00e3o como ato, com um esvaziamento de sentido. Lacan segue pelo paradigma no qual o inconsciente cifra e, por vezes, decifra, revela um sentido oculto, e vai at\u00e9 o inconsciente real, inabord\u00e1vel pela palavra. O paradoxo e\u0301 que nisso que necessita ser dito se trata de um dizer que se esta\u0301 dizendo e n\u00e3o de algo \u201cinefa\u0301vel, fora das palavras\u201d.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/p>\n<p>Como privilegiar uma interpreta\u00e7\u00e3o que incida sobre o real dessas marcas ao operar com a l\u00edngua, os seus equ\u00edvocos e as resson\u00e2ncias?<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> Como n\u00e3o desatrelar o sintoma, seja ele qual for, da aposta ao inconsciente?<\/p>\n<p>A toxicomania representa, de forma contundente, os impasses da psican\u00e1lise diante da presen\u00e7a do gozo e a itera\u00e7\u00e3o do Um.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a> O inconsciente real se presentifica sem muita possibilidade de trabalho via inconsciente transferencial. Esse \u00e9 um grande desafio posto \u00e0 psican\u00e1lise.<\/p>\n<p>Qual seria o trabalho preliminar para viabilizar a abertura ao inconsciente, quando nos deparamos com o excesso de gozo no corpo avesso \u00e0 incid\u00eancia da palavra? A an\u00e1lise teria o desafio de sempre instaurar a cren\u00e7a no inconsciente como dire\u00e7\u00e3o do tratamento? Aguardamos as contribui\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas que ensinem atrav\u00e9s dos impasses, falhas e recusas em se obter o consentimento ao inconsciente na cl\u00ednica. \u00c9 a oportunidade tamb\u00e9m para investigarmos a interpreta\u00e7\u00e3o orientada pelo real, quando ela permite renovar a aposta no inconsciente.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Cosenza, D. <em>Cl\u00ednica do excesso<\/em>: derivas pulsionais e solu\u00e7\u00f5es sintom\u00e1ticas na psicopatologia contempor\u00e2nea. Belo Horizonte: Scriptum, 2024, p. 50.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Laurent, \u00c9ric. <em>O avesso da biopol\u00edtica<\/em>. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2016, p. 45.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Jimenez, S. Os dois dizeres de \u201cO Aturdito\u201d. <em>N\u00f3s e o sinthoma<\/em>. Organizado por Ang\u00e9lica Bastos e Stella Jimenez. Rio de Janeiro: ICP-RJ, 2023, p. 62.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Lacan, J. Fun\u00e7\u00e3o e campo da fala e da linguagem em psican\u00e1lise. <em>Escritos<\/em>. (1998). Rio de Janeiro: Zahar, 1998. Lacan, J. <em>O semin\u00e1rio, livro 23<\/em>: o sinthoma. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Lacan, J. (1971-1972). <em>O semin\u00e1rio, livro 19<\/em>: &#8230;ou pior.<\/h6>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;50px&#8221;][vc_column_text] Cristina Frederico Sarita Gelbert Os significantes mestres que ordenavam nosso mundo e serviam de par\u00e2metro para a produ\u00e7\u00e3o dos ideais v\u00eam se proliferando e sofrendo mudan\u00e7as que afetam os la\u00e7os e o modo de produzir sintoma. Quais seriam os efeitos cl\u00ednicos com as mudan\u00e7as de discurso e com o avan\u00e7o do capitalismo? 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