{"id":57551,"date":"2024-05-25T05:57:16","date_gmt":"2024-05-25T08:57:16","guid":{"rendered":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2024\/?page_id=57551"},"modified":"2024-05-27T05:14:57","modified_gmt":"2024-05-27T08:14:57","slug":"eixo-1-discursos-e-interpretacao","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2024\/eixos-tematicos\/eixo-1-discursos-e-interpretacao\/","title":{"rendered":"EIXO 1: DISCURSOS E INTERPRETA\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;50px&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<h6><em>Ang\u00e9lica Bastos<br \/>\n<\/em><em>Maricia Ciscato<\/em><\/h6>\n<p>Com Freud, aprendemos que as manifesta\u00e7\u00f5es inconscientes respondem a uma gram\u00e1tica pr\u00f3pria e pedem leitura. Em seu extenso trabalho de retorno \u00e0 raz\u00e3o freudiana, ao longo de todo o primeiro ensino, Lacan aponta que o funcionamento inconsciente est\u00e1 atrelado \u00e0s leis da linguagem, dando destaque \u00e0 met\u00e1fora e \u00e0 meton\u00edmia para pensarmos o sintoma e o desejo. No <em>Semin\u00e1rio 11<\/em>, afirma que o significante petrifica o sujeito \u201cpelo mesmo movimento com que o chama a funcionar, a falar, como sujeito\u201d.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> O significante que petrifica est\u00e1 em a\u00e7\u00e3o no discurso do mestre, que funciona pelo simples fato de que h\u00e1 linguagem<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, constituindo o sujeito e produzindo sintomas. \u00c9 o que constatamos cotidianamente na cl\u00ednica da neurose, com a apresenta\u00e7\u00e3o dos sintomas obsessivos, hist\u00e9ricos e f\u00f3bicos.<\/p>\n<p>Em nossa cl\u00ednica e em institui\u00e7\u00f5es, acompanhamos, no entanto, o surgimento de sintomas variados que n\u00e3o se apresentam como forma\u00e7\u00e3o do inconsciente, como met\u00e1fora, e que, portanto, n\u00e3o pedem decifra\u00e7\u00e3o. Tampouco correspondem a express\u00f5es t\u00edpicas das psicoses, como o del\u00edrio e a alucina\u00e7\u00e3o. S\u00e3o repeti\u00e7\u00f5es aditivas dentro e fora das redes sociais, hiperatividades, hipomanias, consumo compulsivo de <em>gadgets<\/em>, imagens e objetos produzidos pela tecnoci\u00eancia que muitas vezes empurram o sujeito para o lugar de dejeto. Independentemente da estrutura cl\u00ednica, essas manifesta\u00e7\u00f5es se destacam pelo regime de gozo, que se distingue do regime do desejo.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> \u00c0 diferen\u00e7a dos sintomas freudianos cl\u00e1ssicos, sempre presentes na cl\u00ednica, n\u00e3o disp\u00f5em de um envelope formal, cujos significantes se desdobram na associa\u00e7\u00e3o livre.<\/p>\n<p>A partir do <em>Semin\u00e1rio 1<\/em>9, com a formula\u00e7\u00e3o \u201c<em>h\u00e1 Um<\/em>\u201d, Lacan privilegia o que n\u00e3o \u00e9 de todo capturado pelo discurso<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>: marcas de gozo no corpo que n\u00e3o se rendem aos efeitos de sentido, \u00e0s decifra\u00e7\u00f5es e \u00e0s constru\u00e7\u00f5es de uma an\u00e1lise, insistindo tanto no \u00e2mbito dos sintomas metaf\u00f3ricos, quanto independentes deles. Como os desafios da cl\u00ednica atual podem se servir da orienta\u00e7\u00e3o de que nem todas as inscri\u00e7\u00f5es participam do encadeamento significante?<\/p>\n<p>Nossa \u00e9poca \u00e9 regida pela promessa de um discurso que se prop\u00f5e sem perdas. O discurso do mestre contempor\u00e2neo \u2013 discurso do capitalista \u2013 captura e tritura os corpos em sua maquinaria sem ponto de parada, recha\u00e7ando a castra\u00e7\u00e3o. Nele, o <em>falasser<\/em> vive na expectativa de encontrar no pr\u00f3ximo objeto o consumo completamente satisfat\u00f3rio, sem restos, posi\u00e7\u00e3o em que ele pr\u00f3prio passa a ser consumido, nada deixando a interpretar. O discurso de mestre cl\u00e1ssico \u2013 e os sintomas nele engendrados \u2013 persiste e se alterna com os demais discursos e, em especial, com o do capitalista, interrogando o psicanalista sobre a l\u00f3gica e os efeitos da interpreta\u00e7\u00e3o hoje.<\/p>\n<p>Por sustentar o imposs\u00edvel da rela\u00e7\u00e3o sexual e um discurso confrontado ao real de sua \u00e9poca, sem inten\u00e7\u00e3o de dominar ou promover a verdade, a presen\u00e7a do analista tende a provocar efeitos de enigma e corte nos falasseres que acolhe em seus consult\u00f3rios e nas institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e outras. A pontua\u00e7\u00e3o e o corte no trabalho anal\u00edtico tocam tanto o sentido quanto o <em>nonsense<\/em>, visando incidir sobre os sintomas metaf\u00f3ricos, sobre os regimes de gozo das pr\u00e1ticas corporais atuais e as marcas de gozo. Como tem se apresentado, na cl\u00ednica e nas institui\u00e7\u00f5es, os sintomas que respondem aos diferentes discursos? O que os psicanalistas testemunham sobre os efeitos de interpreta\u00e7\u00e3o em suas pr\u00e1ticas?<\/p>\n<p>Este eixo acolhe trabalhos que tratem da interpreta\u00e7\u00e3o e de seu fracasso. Interessa-nos o deslocamento do falasser do discurso do mestre ao do analista, bem como a dificuldade em produzir um ponto de parada no discurso do mestre contempor\u00e2neo.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Lacan, J. (1964) <em>O semin\u00e1rio, livro 11<\/em>: os quatros conceitos fundamentais da psican\u00e1lise. Rio de Janeiro: Zahar, 1988, p. 197.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Lacan, J. (1972) Do discurso psicanal\u00edtico. <em>Lacan in Italia<\/em>:1953-1978. Milano: Salamandra, 1978, p. 47.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Miller, J.-A. <em>Sutilezas anal\u00edticas<\/em>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2011, p. 233-246.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Miller, J.-A. <em>O ser e o um<\/em>: curso 2011-2012. EBP-Rio: 2011. 146 p. Documento de trabalho para atividades da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise. In\u00e9dito.<\/h6>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;50px&#8221;][vc_column_text] Ang\u00e9lica Bastos Maricia Ciscato Com Freud, aprendemos que as manifesta\u00e7\u00f5es inconscientes respondem a uma gram\u00e1tica pr\u00f3pria e pedem leitura. 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