{"id":57674,"date":"2023-09-01T09:27:06","date_gmt":"2023-09-01T12:27:06","guid":{"rendered":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2023\/?p=57674"},"modified":"2023-09-01T20:12:08","modified_gmt":"2023-09-01T23:12:08","slug":"vida-um-bonde-chamado-desejo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2023\/vida-um-bonde-chamado-desejo\/","title":{"rendered":"Vida \u2013 um bonde chamado desejo"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row full_width=&#8221;stretch_row&#8221; row_type=&#8221;main-section&#8221; wr_background_color=&#8221;#0a0a0a&#8221; wr_background_img=&#8221;55&#8243;][vc_column css=&#8221;.vc_custom_1691090958120{background-color: #1d1717 !important;}&#8221;][vc_single_image image=&#8221;51&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;right&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_empty_space][vc_empty_space][vc_column_text]<\/p>\n<h3><\/h3>\n<h2><span style=\"color: #ff0000;\">\u25fc<\/span><strong>Vida \u2013 um bonde chamado desejo<\/strong><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #ff0000;\">\u25fc<\/span><strong>Elza Marques Lisboa de Freitas<\/strong><\/p>\n<h5 style=\"text-align: left;\"><\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">&#8220;Chamamos, ent\u00e3o, uma cren\u00e7a de ilus\u00e3o, quando, em sua motiva\u00e7\u00e3o, a realiza\u00e7\u00e3o de desejo passa para o primeiro plano e, assim fazendo, desistimos de sua rela\u00e7\u00e3o com a realidade, da mesma forma como a pr\u00f3pria ilus\u00e3o renuncia \u00e0s suas comprova\u00e7\u00f5es&#8221;. FREUD, O futuro de uma ilus\u00e3o (1927). Cole\u00e7\u00e3o L&amp;PM Pocket, 2010, p\u00e1gina 48.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Freud trata, nesse pequeno trecho, de nossa rela\u00e7\u00e3o com a realidade a partir do desejo e a situa como ponto poss\u00edvel para a aliena\u00e7\u00e3o. A realidade moldada em nome do desejo. \u201cAinda \u00e9 cedo, amor \/ Mal come\u00e7aste a conhecer a vida\u201d\u00a0 &#8211; adverte-nos Cartola, aquele que sabia tudo sobre o amor e a rosa, quanto ao futuro de uma ilus\u00e3o &#8211; \u201cPreste aten\u00e7\u00e3o, o mundo \u00e9 um moinho \/ Vai triturar teus sonhos, t\u00e3o mesquinho \/ Vai reduzir as ilus\u00f5es a p\u00f3&#8221;, terminando por fazer ecoar os ensinos de Freud e Lacan, ao profetizar:\u00a0 \u201cEm pouco tempo n\u00e3o ser\u00e1s mais o que \u00e9s\u201d.<\/p>\n<p>A n\u00f3s \u00e9 comandado que saibamos que h\u00e1 aridez na raiz dos poemas. Assim, quer estejamos, e sempre estamos, sob o sol escaldante, ou sob uma tempestade, somos condenados \u00e0 sede. O grande engano, por\u00e9m, \u00e9 que o imperativo da sede seja da ordem instintiva, da sobrevida. A sede e a fome no humano s\u00e3o furadas pelo significante que tal como um v\u00edrus\u00a0 indestrut\u00edvel, extraiu o humano radicalmente para fora da natureza, de uma harmonia. O significante perfura o humano para toda\u00a0 a eternidade. N\u00f3s temos que nos virar, pois nem no come\u00e7o dos come\u00e7os, somos. Somos isso e\/ou aquilo.<\/p>\n<p>Desperto o amor, ser\u00e1 que a poesia de Cartola proteger\u00e1 a menina do engodo do desejo?\u00a0 Sujeitos pelo significante, nos becos, nas ruas, na prote\u00e7\u00e3o das casas ou nas guerras &#8230;\u00a0 somos apenas uns assujeitados e, portanto, obrigados ao desejo. A rigor, entre outras coisas mais, cai sobre n\u00f3s uma espada cega que nos condena irremediavelmente ao desejo. O desejo, esse maldito insaci\u00e1vel. Da\u00ed que, como psicanalistas, usando o instrumento da psican\u00e1lise,\u00a0 buscamos a \u00fanica sa\u00edda poss\u00edvel para essa maldi\u00e7\u00e3o. Ca\u00edmos dentro. Criamos truques, amansamos o bicho e, em nome de n\u00e3o morrer, cultivamos a planta. Plantamos e cuidamos. Amarramos o desejo com letras e com Letra. Constru\u00edmos edif\u00edcios de letrinhas. Tratamos de desconstru\u00ed-los quando atrapalham. Constru\u00edmos salas de abrigar palavras. Palavras para abrigar perguntas. O peito oco de um psicanalista em escuta. O anzol delicado com que pescamos uma ou outra palavra.\u00a0 E, \u00e0s vezes, quando emergimos como psicanalistas, capturamos, por momentos, o danado e o estudamos, o amansamos, seguimos-lhe o trajeto. Alguns\u00a0 entre n\u00f3s, em \u00e1rdua tarefa, se aplicam em nos amarrar a todos em esteios te\u00f3ricos. Pequenos ou\u00a0 grandes desenhos e outras formas e met\u00e1foras, n\u00fameros, c\u00e1lculos inexatos sempre a deixar resto. Tentamos quantificar, ainda, com X ou N para que possamos trocar ideias sobre os circuitos que nos s\u00e3o. Para que o poema, que se tece entre significante e suporte a ele, n\u00e3o nos perca numa gal\u00e1xia plena de significados, ou num bonde chamado desejo. O lugar comum \u201cruim com ele pior sem ele\u201d n\u00e3o nos serve, pois n\u00e3o existe a hip\u00f3tese de \u201csem ele\u201d. Existe o n\u00e3o querer saber dele submetendo-se a ele. Numa dessas vezes, um mestre do inconsciente que n\u00e3o tem mestre faz avan\u00e7ar o que nasceu com Freud. Ou mesmo cria outra coisa. Nosso velho companheiro Lacan. O desejo \u00e9 uma coisa\u00a0 a nos montar, animais h\u00edbridos ao dispor dele.\u00a0 Numa dessas vezes, nos dirigimos uns aos outros. At\u00e9 que n\u00e3o.[\/vc_column_text][vc_empty_space][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row full_width=&#8221;stretch_row&#8221; row_type=&#8221;main-section&#8221; wr_background_color=&#8221;#0a0a0a&#8221; wr_background_img=&#8221;55&#8243;][vc_column css=&#8221;.vc_custom_1691090958120{background-color: #1d1717 !important;}&#8221;][vc_single_image image=&#8221;51&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;right&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_empty_space][vc_empty_space][vc_column_text] \u25fcVida \u2013 um bonde chamado desejo &nbsp; \u25fcElza Marques Lisboa de Freitas &nbsp; &nbsp; &nbsp; &#8220;Chamamos, ent\u00e3o, uma cren\u00e7a de ilus\u00e3o, quando, em sua motiva\u00e7\u00e3o, a realiza\u00e7\u00e3o de desejo passa para o primeiro plano e, assim fazendo, desistimos de sua rela\u00e7\u00e3o com a&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[519],"tags":[],"class_list":["post-57674","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-textos","category-519","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57674","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=57674"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57674\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57684,"href":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57674\/revisions\/57684"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=57674"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=57674"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=57674"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}