{"id":57493,"date":"2023-08-07T15:40:46","date_gmt":"2023-08-07T18:40:46","guid":{"rendered":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2023\/?page_id=57493"},"modified":"2023-08-09T16:35:42","modified_gmt":"2023-08-09T19:35:42","slug":"eixo-3-ilusao-nos-discursos","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2023\/eixo-3-ilusao-nos-discursos\/","title":{"rendered":"Eixo 3 &#8211; Ilus\u00e3o nos discursos"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row full_width=&#8221;stretch_row&#8221; row_type=&#8221;main-section&#8221; wr_background_color=&#8221;#0a0a0a&#8221; wr_background_img=&#8221;55&#8243;][vc_column css=&#8221;.vc_custom_1691090958120{background-color: #1d1717 !important;}&#8221;][vc_single_image image=&#8221;51&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;right&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_empty_space][vc_empty_space][vc_column_text]<\/p>\n<h3><\/h3>\n<h2><span style=\"color: #ff0000;\">\u25fc<\/span>Eixo 3 &#8211; Ilus\u00e3o nos discursos<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Discursos, no sentido de Lacan, s\u00e3o modos do la\u00e7o social. \u00c9 nessa perspectiva que indagamos o que se pode dizer da Ilus\u00e3o nos discursos hoje.<\/p>\n<p>Freud supera a oposi\u00e7\u00e3o \u201cindividual\u201d e \u201csocial\u201d e situa o fundamento do v\u00ednculo social na absoluta depend\u00eancia infantil do Outro parental. A ilus\u00e3o religiosa decorre do anseio pelo pai e pelos deuses e da necessidade de tornar toler\u00e1vel o desamparo humano. Em tempos de decl\u00ednio da fun\u00e7\u00e3o do Pai, o papel da religi\u00e3o permanece o mesmo?<\/p>\n<p>Se, por um lado, h\u00e1 um esvaziamento da tradi\u00e7\u00e3o, por outro lado, assistimos a uma prolifera\u00e7\u00e3o de seitas e ades\u00e3o a todo tipo de sistemas pseudocient\u00edficos.<\/p>\n<p>Freud, com seu ideal de ci\u00eancia, talvez tenha apostado nessa \u00faltima como uma possibilidade de supera\u00e7\u00e3o da ilus\u00e3o no la\u00e7o social. Se, com Lacan, a \u2018ilus\u00e3o\u2019 freudiana relativa \u00e0 ci\u00eancia \u00e9 mitigada por sua localiza\u00e7\u00e3o como um discurso entre outros, situ\u00e1vel a partir do discurso anal\u00edtico, no mundo, a ci\u00eancia parece pretender ainda essa prerrogativa, apoiando-se em evid\u00eancias. Ao negacionismo cient\u00edfico que vimos assistindo s\u00e3o opostos os fatos. Mas, na oposi\u00e7\u00e3o \u201cfato ou <em>fake<\/em>\u201d, o fato n\u00e3o corresponde ao que, na psican\u00e1lise, se toma por real. Tampouco o <em>fake<\/em> se coaduna ao que articulamos nos termos de uma verdade mentirosa.<\/p>\n<p>Mais do que um problema epist\u00eamico, o negacionismo hoje segue um projeto pol\u00edtico. Como abordar esse tema desde a perspectiva psicanal\u00edtica? A no\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica de que a verdade \u00e9 um semblante fez adeptos perigosos entre os homens de poder, como assinalou J. A. Miller (2015, p.326).<\/p>\n<p>Freud j\u00e1 alertava que uma ilus\u00e3o n\u00e3o \u00e9 necessariamente um erro e n\u00e3o precisa tampouco ser falsa. O que a define, sobretudo, \u00e9 ser uma deriva\u00e7\u00e3o do desejo. E, ainda que possa levar ao pior, como no caso da \u201cafirma\u00e7\u00e3o de certos nacionalistas de que os indo-germ\u00e2nicos seriam a \u00fanica ra\u00e7a humana apta \u00e0 cultura\u201d (Freud, 1927, p.263), cabe ressaltar que ela pode tamb\u00e9m ser suporte para uma vida individual ou coletiva.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que, em seu texto de 1927, Freud vincula essencialmente a ideia de ilus\u00e3o \u00e0 religi\u00e3o. Mas e os outros discursos? Neles n\u00e3o est\u00e3o em jogo as ilus\u00f5es? \u00c9 preciso considerar tamb\u00e9m o lugar que as ilus\u00f5es ocupam para a pr\u00f3pria possibilidade do la\u00e7o social, para al\u00e9m de seus lugares distintos nos diferentes modos de la\u00e7o.<\/p>\n<p>Que outros fen\u00f4menos discursivos podem ser abordados pela fun\u00e7\u00e3o da ilus\u00e3o descrita por Freud? Aguardamos o envio de trabalhos que possam abordar clinicamente, al\u00e9m do que introduzimos acima sobre o papel da religi\u00e3o e o tema do negacionismo, outros t\u00f3picos relacionados \u00e0s ilus\u00f5es no discurso civilizat\u00f3rio contempor\u00e2neo, tais como o tema do racismo (e sua denega\u00e7\u00e3o), das identidades e lutas coletivas, do consumo capitalista, das tecnologias e do ciberespa\u00e7o e do recurso \u00e0s drogas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5 style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #ff0000;\">\u25fc<\/span> Angela Bernardes e Vin\u00edcius Darriba<\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>____________________<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5><span style=\"color: #ff0000;\">\u25fc<\/span> Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><span style=\"color: #ff0000;\"><b>\u25cf <\/b><\/span><\/em>DUBA, Cristina. \u201cA psican\u00e1lise entre guerras\u201d. Em: <em>Arquivos da Biblioteca<\/em>, n\u00ba 17. Escola Brasileira de Psican\u00e1lise- Rio de Janeiro. Goi\u00e2nia: Kelps, 2022.<\/p>\n<p><em><span style=\"color: #ff0000;\"><b>\u25cf <\/b><\/span><\/em>FREUD, S. (1921) \u201cPsicologia das massas e an\u00e1lise do eu\u201d. Em: <em>Obras incompletas de Sigmund Freud: cultura, sociedade, religi\u00e3o: O mal-estar na cultura e outros escritos<\/em>. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2023.<\/p>\n<p><em><span style=\"color: #ff0000;\"><b>\u25cf <\/b><\/span><\/em>____. (1927) \u201cO futuro de uma ilus\u00e3o\u201d, Em: <em>Obras incompletas de Sigmund Freud: cultura, sociedade, religi\u00e3o: O mal-estar na cultura e outros escritos<\/em>. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2023.<\/p>\n<p><em><span style=\"color: #ff0000;\"><b>\u25cf <\/b><\/span><\/em>____. (1930) \u201cO mal-estar na cultura\u201d, Em: <em>Obras incompletas de Sigmund Freud: cultura, sociedade, religi\u00e3o: O mal-estar na cultura e outros escritos<\/em>. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2023.<\/p>\n<p><em><span style=\"color: #ff0000;\"><b>\u25cf <\/b><\/span><\/em>____. (1909-1939) <em>Cartas entre Freud e Pfister: um di\u00e1logo entre a psican\u00e1lise e a f\u00e9 crist\u00e3<\/em>. Vi\u00e7osa: Ultimato, 2009.<\/p>\n<p><em><span style=\"color: #ff0000;\"><b>\u25cf <\/b><\/span><\/em>LACAN, J. (1966) \u201cA ci\u00eancia e a verdade\u201d. Em: <em>Escritos<\/em>. Rio: Jorge Zahar Ed., 1998.<\/p>\n<p><em><span style=\"color: #ff0000;\"><b>\u25cf <\/b><\/span><\/em>____. (1977) \u201cPref\u00e1cio \u00e0 edi\u00e7\u00e3o inglesa do Semin\u00e1rio 11\u201d. Em: <em>Outros Escritos<\/em>. Rio: Jorge Zahar Ed., 2003.<\/p>\n<p><em><span style=\"color: #ff0000;\"><b>\u25cf <\/b><\/span><\/em>MILNER, J. C. <em>A obra clara: Lacan, a ci\u00eancia, a filosofia<\/em>. Rio de janeiro; Jorge Zahar Ed., 1996.<\/p>\n<p><em><span style=\"color: #ff0000;\"><b>\u25cf <\/b><\/span><\/em>MILLER, J. A. \u201cBr\u00fajula de la \u00faltima ense\u00f1anza\u201d. Em: <em>Todo mundo es loco<\/em>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2015.<\/p>\n<p><em><span style=\"color: #ff0000;\"><b>\u25cf <\/b><\/span><\/em>SAFATLE, V. \u201cMedo, desamparo e poder sem corpo\u201d. Em: <em>Obras incompletas de Sigmund Freud: cultura, sociedade, religi\u00e3o: O mal-estar na cultura e outros escritos<\/em>. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2023.[\/vc_column_text][vc_empty_space][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row full_width=&#8221;stretch_row&#8221; row_type=&#8221;main-section&#8221; wr_background_color=&#8221;#0a0a0a&#8221; wr_background_img=&#8221;55&#8243;][vc_column css=&#8221;.vc_custom_1691090958120{background-color: #1d1717 !important;}&#8221;][vc_single_image image=&#8221;51&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; alignment=&#8221;right&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_empty_space][vc_empty_space][vc_column_text] \u25fcEixo 3 &#8211; Ilus\u00e3o nos discursos &nbsp; &nbsp; Discursos, no sentido de Lacan, s\u00e3o modos do la\u00e7o social. \u00c9 nessa perspectiva que indagamos o que se pode dizer da Ilus\u00e3o nos discursos hoje. 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