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	<title>TEXTOS &#8211; 30as Jornadas Clínicas da EBP-Rio e do ICP-RJ.</title>
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	<description>Escola Brasileira de Psicanálise - Seção Rio</description>
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		<title>Ato de poesia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[jornadas]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Sep 2023 17:58:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Boletim Moinhos]]></category>
		<category><![CDATA[TEXTOS]]></category>
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					<description><![CDATA[◼ Por Maricia Ciscato[1] &#160; &#160; “A contingência, eu a encarnei no ‘para de não se escrever’. Pois aí não há outra coisa senão encontro, o encontro no parceiro dos sintomas, dos afetos, de tudo que, em cada um, marca o traço do seu exílio, (&#8230;), do seu exílio da relação sexual. Não é o&#8230;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h6><span style="color: #ff0000;"><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/15.0.3/72x72/25fc.png" alt="◼" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /></span> Por Maricia Ciscato<a href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a></h6>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>“<em>A contingência, eu a encarnei no ‘para de não se escrever’. Pois aí não há outra coisa senão encontro, o encontro no parceiro dos sintomas, dos afetos, de tudo que, em cada um, marca o traço do seu exílio, (&#8230;), do seu exílio da relação sexual. Não é o mesmo que dizer que é somente pelo afeto que resulta dessa hiância que algo se encontra (&#8230;) que, por um instante, dá a ilusão de que a relação sexual ‘para de não se escrever’?” (&#8230;) Todo amor, por só subsistir pelo ‘para de não se escrever’, tende a fazer passar a negação ao ‘não para de se escrever’, não para, não parará. Tal é o substituto que (&#8230;) constitui o destino e também o drama de todo amor.</em>” (Lacan, J. Seminário 20, Zahar 1985, pp 198-99)</p>
<p>Sob demanda da coordenação da comissão científica das nossas 30as Jornadas, me deparei com esse trechinho de Lacan no Seminário 20, enviado a mim para tecer um breve comentário, algo rápido. Com o pouco tempo em jogo, eu não poderia me debruçar na leitura do capítulo todo, desdobrada em textos de apoio e outros autores, como seria meu modo comum de operar diante do compromisso de leitura de um texto de Lacan. Como responder então? Li por diversas vezes o trechinho, em momentos diferentes, ao longo dos três dias de que dispus, incluindo o final de semana. Deixei as frases ressoando em outras leituras que venho fazendo, deixei que trabalhassem por conta, as leituras em mim. Não, não seria eu a interpretar o trechinho. Seria ele a me interpretar.</p>
<p>Necessidade, impossível e contingência, amor e ilusão, o que não cessa de se escrever, o que não cessa de não se escrever e o que cessa de não se escrever, a leitura, a escrita, a análise&#8230; O “ponto de cessação”. Havia lido, poucos dias antes, a bela expressão cunhada por Jean-Claude Milner: “ponto de cessação”<a href="#_ftn2" name="_ftnref2">[2]</a>, ao qual ele articula um ato, o “ato da poesia”. Já não estamos no “ponto de basta” em que a metáfora do NP nos possibilita uma parada diante da demanda do Outro; uma outra terra é pisada, sem as balizas paternas a nos orientar. Encontrei, então, meu ponto de articulação com o trechinho de Lacan me ofertado pelas Jornadas.</p>
<p>A contingência em que – mesmo que por um tempo apenas, um tempo breve ou um tempo mais extenso, mas um tempo apenas – o que não cessa de não se escrever se poetiza pode se dar em um encontro amoroso?</p>
<p>O modo como chegamos a amarrar nossa extimidade exige certamente um passo além do ódio a si, ao Outro em cada um de nós. Exigiria, portanto, também uma certa relação com o amor (seria essa a relação um pouco “mais digna” que gostamos de mencionar)?</p>
<p>A não existência da relação sexual não para e não parará de se impor, nos incita Lacan. O ponto de cessação que nos interessa não equivale, portanto, de modo algum, a qualquer inscrição da relação sexual. O que se escreve então? A poesia me dá uma pista: O que se escreve é o que permite que cesse, por um momento, a ilusão de que necessitamos fazer existir a relação sexual para viver o amor. E, nesse instante, o poético, nós o experimentamos em sua inscrição mais absurda, radical e viva, estranheza. <em>Nos</em> experimentamos em nossa mais absurda, radical e viva estranheza. Só por um tempo, mas, que, em uma vida, tal como em uma poesia, pode nos levar ao encontro de rimas e combinações e nos fazer navegar por trilhas antes insuspeitas, em nós, n’Outro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
<h6><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> Agradeço a Ana Tereza Groisman e Marcus André Vieira, pelas últimas conversas para-lê-las, a elas, as poéticas lacanianas.</h6>
<h6><a href="#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> Milner, J.C. O amor da língua. São Paulo: Editora da Unicamp, 2012. P. 39.</h6>
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		<title>Vida – um bonde chamado desejo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[jornadas]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Sep 2023 12:27:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[TEXTOS]]></category>
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					<description><![CDATA[]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<section class="wpb-content-wrapper"><div data-vc-full-width="true" data-vc-full-width-init="false" class="vc_row wpb_row vc_row-fluid"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12 vc_col-has-fill"><div class="vc_column-inner vc_custom_1691090958120"><div class="wpb_wrapper">
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			<h3></h3>
<h2><span style="color: #ff0000;"><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/15.0.3/72x72/25fc.png" alt="◼" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /></span><strong>Vida – um bonde chamado desejo</strong></h2>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #ff0000;"><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/15.0.3/72x72/25fc.png" alt="◼" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /></span><strong>Elza Marques Lisboa de Freitas</strong></p>
<h5 style="text-align: left;"></h5>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="padding-left: 80px;">&#8220;Chamamos, então, uma crença de ilusão, quando, em sua motivação, a realização de desejo passa para o primeiro plano e, assim fazendo, desistimos de sua relação com a realidade, da mesma forma como a própria ilusão renuncia às suas comprovações&#8221;. FREUD, O futuro de uma ilusão (1927). Coleção L&amp;PM Pocket, 2010, página 48.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Freud trata, nesse pequeno trecho, de nossa relação com a realidade a partir do desejo e a situa como ponto possível para a alienação. A realidade moldada em nome do desejo. “Ainda é cedo, amor / Mal começaste a conhecer a vida”  &#8211; adverte-nos Cartola, aquele que sabia tudo sobre o amor e a rosa, quanto ao futuro de uma ilusão &#8211; “Preste atenção, o mundo é um moinho / Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho / Vai reduzir as ilusões a pó&#8221;, terminando por fazer ecoar os ensinos de Freud e Lacan, ao profetizar:  “Em pouco tempo não serás mais o que és”.</p>
<p>A nós é comandado que saibamos que há aridez na raiz dos poemas. Assim, quer estejamos, e sempre estamos, sob o sol escaldante, ou sob uma tempestade, somos condenados à sede. O grande engano, porém, é que o imperativo da sede seja da ordem instintiva, da sobrevida. A sede e a fome no humano são furadas pelo significante que tal como um vírus  indestrutível, extraiu o humano radicalmente para fora da natureza, de uma harmonia. O significante perfura o humano para toda  a eternidade. Nós temos que nos virar, pois nem no começo dos começos, somos. Somos isso e/ou aquilo.</p>
<p>Desperto o amor, será que a poesia de Cartola protegerá a menina do engodo do desejo?  Sujeitos pelo significante, nos becos, nas ruas, na proteção das casas ou nas guerras &#8230;  somos apenas uns assujeitados e, portanto, obrigados ao desejo. A rigor, entre outras coisas mais, cai sobre nós uma espada cega que nos condena irremediavelmente ao desejo. O desejo, esse maldito insaciável. Daí que, como psicanalistas, usando o instrumento da psicanálise,  buscamos a única saída possível para essa maldição. Caímos dentro. Criamos truques, amansamos o bicho e, em nome de não morrer, cultivamos a planta. Plantamos e cuidamos. Amarramos o desejo com letras e com Letra. Construímos edifícios de letrinhas. Tratamos de desconstruí-los quando atrapalham. Construímos salas de abrigar palavras. Palavras para abrigar perguntas. O peito oco de um psicanalista em escuta. O anzol delicado com que pescamos uma ou outra palavra.  E, às vezes, quando emergimos como psicanalistas, capturamos, por momentos, o danado e o estudamos, o amansamos, seguimos-lhe o trajeto. Alguns  entre nós, em árdua tarefa, se aplicam em nos amarrar a todos em esteios teóricos. Pequenos ou  grandes desenhos e outras formas e metáforas, números, cálculos inexatos sempre a deixar resto. Tentamos quantificar, ainda, com X ou N para que possamos trocar ideias sobre os circuitos que nos são. Para que o poema, que se tece entre significante e suporte a ele, não nos perca numa galáxia plena de significados, ou num bonde chamado desejo. O lugar comum “ruim com ele pior sem ele” não nos serve, pois não existe a hipótese de “sem ele”. Existe o não querer saber dele submetendo-se a ele. Numa dessas vezes, um mestre do inconsciente que não tem mestre faz avançar o que nasceu com Freud. Ou mesmo cria outra coisa. Nosso velho companheiro Lacan. O desejo é uma coisa  a nos montar, animais híbridos ao dispor dele.  Numa dessas vezes, nos dirigimos uns aos outros. Até que não.</p>

		</div>
	</div>
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		<title>Editorial Moinhos #07</title>
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		<dc:creator><![CDATA[jornadas]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Aug 2023 11:33:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[TEXTOS]]></category>
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					<description><![CDATA[]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<section class="wpb-content-wrapper"><div data-vc-full-width="true" data-vc-full-width-init="false" class="vc_row wpb_row vc_row-fluid vc_custom_1692018067493"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12 vc_col-has-fill"><div class="vc_column-inner vc_custom_1691090958120"><div class="wpb_wrapper">
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	<div class="wpb_text_column wpb_content_element " >
		<div class="wpb_wrapper">
			<h3></h3>
<h2><span style="color: #ff0000;"><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/15.0.3/72x72/25fc.png" alt="◼" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /><span style="color: #000000;">Editorial</span></span></h2>
<p>&nbsp;</p>
<p style="padding-left: 80px;"><em>“Quando nisto iam, descobriram trinta ou quarenta moinhos de vento, que há naquele campo. Assim que Dom Quixote os viu, disse para o escudeiro: </em></p>
<p style="padding-left: 80px;"><em> </em><em>&#8211; A aventura vai encaminhando os nossos negócios melhor do que o soubemos desejar; porque, vês ali, amigo Sancho Pança, onde se descobrem trinta ou mais desaforados gigantes, com quem penso fazer batalha, e tirar-lhes a todos as vidas, e com cujos despojos começaremos a enriquecer; que esta é boa guerra e bom serviço a Deus quem tira tão má raça da face da terra.</em></p>
<p style="padding-left: 80px;"><em> </em><em>&#8211; Quais gigantes? – disse Sancho Pança.</em></p>
<p style="padding-left: 80px;"><em> </em><em>&#8211; Aqueles que ali vês – respondeu o amo-, de braços tão compridos, que alguns os têm de quase duas léguas.</em></p>
<p style="padding-left: 80px;"><em> </em><em>&#8211; Olhe bem,Vossa Mercê – disse o escudeiro- que aquilo não são gigantes, são moinhos de vento; e o que parecem braços não são senão as velas, que tocadas do vento fazem trabalhar as mós.</em></p>
<p style="padding-left: 80px;"><em> </em><em>&#8211; Bem se vê – respondeu Dom Quixote &#8211; que não andas corrente nisto das aventuras; são gigantes, são; e, se tens medo, tira-te daí, e põe-te em oração enquanto eu vou entrar com eles em fera e desigual batalha.”<a href="#_ftn1" name="_ftnref1"><sup><strong>[1]</strong></sup></a></em></p>
<p>O tema da ilusão levou a Coordenação das Jornadas a uma célebre cena literária: Dom Quixote lutando com moinhos de vento imaginando que estes fossem gigantes cruéis. Desde a publicação dessa obra, que é considerada o primeiro romance moderno, moinhos se tornaram metáforas recorrentes na literatura ocidental. No Brasil, por exemplo, um dos maiores sambistas da música brasileira, Cartola, gravou em 1976 uma de suas músicas mais conhecidas, cujo refrão nos oferece os seguintes versos:</p>
<p><strong>Ouça-me bem, amor</strong></p>
<p><strong>Preste atenção, o mundo é um moinho</strong></p>
<p><strong>Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho</strong></p>
<p><strong>Vai reduzir as ilusões a pó<a href="#_ftn2" name="_ftnref2"><sup>[2]</sup></a></strong></p>
<p>Os moinhos são movidos para a produção de alimentos, mas eles também movem ilusões &#8211; e se transformam em inimigos. E por mais que se diga que essa é uma luta inútil, os moinhos podem ainda soprar fantasias, insuflar desejos, inspirar poesia e encorajar amores.</p>
<p>Reforçando o convite feito no dia do lançamento das 30as Jornadas Clínicas da EBP-RJ e ICP RJ, apresentamos mais uma vez o argumento, os eixos e a bibliografia sobre o tema Ilusão que irão nos instigar, provocar, entusiasmar e incentivar a produção de palavras, escritos, debates, conversas e questões que nos preparem para tratarmos, em nossas clínicas e transmissões, do presente e do futuro da ilusão no horizonte de nossa época.</p>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
<h6><a href="#_ftnref1" name="_ftn1"><sup>[1]</sup></a> Cervantes de Saavedra, Miguel de. (1547 -1616). São Paulo: Abril Cultural, 1978.</h6>
<h6><a href="#_ftnref2" name="_ftn2"><sup>[2]</sup></a> <a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/3PavsmA9S6QA5lNmmsuOif?si=3DCFk73OQuyrc5ZpDZ1LnQ&amp;nd=1">https://open.spotify.com/intl-pt/track/3PavsmA9S6QA5lNmmsuOif?si=3DCFk73OQuyrc5ZpDZ1LnQ&amp;nd=1</a></h6>

		</div>
	</div>
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		<title>Iludir-se [ilusionar-se]/, ainda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[jornadas]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Aug 2023 12:51:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[TEXTOS]]></category>
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					<description><![CDATA[]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<section class="wpb-content-wrapper"><div data-vc-full-width="true" data-vc-full-width-init="false" class="vc_row wpb_row vc_row-fluid"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12 vc_col-has-fill"><div class="vc_column-inner vc_custom_1691090958120"><div class="wpb_wrapper">
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			<h3></h3>
<h2><span style="color: #ff0000;"><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/15.0.3/72x72/25fc.png" alt="◼" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /></span><strong>Iludir-se [<em>ilusionar-se</em>], ainda<a href="#_ftn1" name="_ftnref1"><sup>[1]</sup></a></strong></h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h5 style="text-align: left;"><span style="color: #ff0000;"><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/15.0.3/72x72/25fc.png" alt="◼" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> </span><strong><em>Marina Recalde</em></strong></h5>
<p>&nbsp;</p>
<p>Agradeço muitíssimo o convite à Sarita Gelbert e, através dela, às autoridades e ao Comité Organizador, não apenas pelo prazer de trabalhar com vocês uma vez mais, como também porque o tema das próximas jornadas me parece precioso. Como sucede nesses casos, quando alguém é convidado a falar de um tema, imediatamente a gente se coloca a reunir referências que já havia lido, mas que voltam a ter uma segunda leitura, ou ainda vamos a referências novas, que sempre resultam muito enriquecedoras.</p>
<p>Foi o que aconteceu comigo com o tema da ilusão. O primeiro impacto sobre mim foi a pergunta: por que renunciar à ilusão? Se nos curamos disso o que resta? Queremos nos curar disso? O que seria nos curarmos da ilusão? Então, decidi intitular esta abertura: <em>iludir-se, ainda</em>.</p>
<p>Por que iludir-se, <em>ainda</em>? Desde o início já aponto o <em>Seminário 20</em> como guia, em que Lacan fala, entre outras coisas, do amor.<a href="#_ftn2" name="_ftnref2"><sup>[2]</sup></a></p>
<p>Então, vou alternar entre o <em>Seminário</em> <em>20</em> e o <em>Seminário 8</em>, sobre a transferência, pois é nesse seminário que Lacan fala do amor, tomando <em>O Banquete</em>, de Platão como referência. Não é uma referência de passagem, já que mais da metade do seminário está dedicada a esse texto. Em seguida, tomarei um exemplo clínico, extraído de uma pontuação que faz Éric Laurent do último testemunho de Sílvia Salman, intitulado “Sutilezas do feminino”.</p>
<p>No <em>Seminário 8</em>, em um percurso pelos diferentes discursos sobre o amor extraídos do texto de Platão, Lacan ressalta o discurso de Aristófanes. Erixímaco previne Aristófanes para que não lhe faça zombaria</p>
<p>“caro amigo Aristófanes, cuidado com o que fazes. Zombas de mim quando vais falar e me obrigas assim a vigiar o teu discurso, pois não quero rir de você podes muito bem falar em paz” (p. 69).</p>
<p>O discurso de Aristófanes é talvez a parte mais conhecida do <em>Banquete</em> e apresenta uma estrutura interna muito mais elaborada que as demais, é uma narrativa com as consequências do que é relatado. Encontramos, ali, o mito que relata os avatares, as vicissitudes da natureza humana. No princípio, os seres humanos tinham dois corpos, quatro pernas, quatro braços e duas cabeças com a particularidade de que cada rosto se orientava em direção a lados opostos. Tinham três gêneros: masculino-masculino, feminino-feminino e masculino-feminino (os andróginos). Essa multiplicidade de extremidades lhes deu um poder imenso, excederam-se, com o que se tornaram perigosos. Por isso, Zeus decidiu dividi-los em duas metades. Mas cada metade ansiava pela outra metade. Zeus então decide que a forma de procriação passaria a ser diferente. Em vez de depositar a semente na Terra, vão acoplar-se e por isso cada um vai buscar sua outra metade: Eros faz, de dois, um. Ao encontrarem-se essas duas metades surgem o amor e a alegria. A primeira consequência evidente é que o amor é a busca da unidade. Por outro lado, sempre é Eros. Além disso, o homem busca a satisfação pulsional, porém, além disso, algo que não sabem precisar (o amor). Os problemas com relação ao amor surgiram pela <em>hybris</em>, ou seja, o excesso diante dos deuses.</p>
<p>Isso quer dizer que o excesso levou ao castigo e que o romanticismo reaparece no reencontro. O encontro é possível, a unidade afirma a relação sexual. O amor segue sendo um enigma, no entanto, e dessa separação restará um lembrete: as rugas e o umbigo. É um modo interessante de pensar o testemunho perpétuo da castração decidida por Zeus. Há algo ali, que no próprio discurso de Aristófanes já indica que a completude está perdida para sempre. Ainda que se tente suturá-la, sempre resta o lembrete nas rugas e no umbigo.</p>
<p>Esse ponto me parece crucial e foi assim o que pude escutar da leitura que faz Miller desse ponto, na qual destaca exatamente isto que digo, apenas o lê em termos de zombaria. De uma burla de Aristófanes. Diz Miller:</p>
<p style="padding-left: 80px;">“&#8230; posso referir-me ao mito de Aristófanes no <em>Banquete</em> de Platão, retomado no seminário <em>A Transferência</em>, onde se trata de seres de dois sexos divididos em dois que depois passam a vida tratando de recompor o Um inicial, buscando sua metade pelo mundo. Sem dúvida, este mito de Aristófanes é apresentado como cômico, ainda que tenha sido tomado por séculos como um mito sério, como o ideal do amor. Ao contrário, zomba-se do um fusional neste mito. O Uno amoroso resultaria do enganche dos dois parceiros como chave e fechadura”.</p>
<p>No <em>Seminário 20</em>, Lacan volta abordar o tema do amor, mas lhe dá uma volta a mais, quando localiza debaixo das roupagens o objeto <em>a</em>, assinala que o amor é o desejo de ser Uno e que Eros é também tensão em direção ao Uno. Não diz que Eros consegue, só indica a tendência. Ou seja, ele é impotente para realizar isso. Não há complementariedade entre o Um e o Outro, porque definitivamente são duas solidões que se unem, com o limite que o exílio, que cada um é, impõe ao laço.</p>
<p>Ao final de <em>Mais, ainda</em>, vemos o estatuto de espelhamento que dá Lacan a esse tipo de amor. Ele diz</p>
<p style="padding-left: 80px;">”não há ali nada além do encontro, encontro em um casal, dos sintomas, dos afetos, de tudo que marca para cada um o vestígio do seu exílio, não como sujeito, mas como falante, de seu exílio da relação sexual. Será que isso não quer dizer que é somente pelo afeto que resulta desta hiância que se pode encontrar algo que, por um instante, dá a <em>ilusão</em> de que a relação sexual <em>cessa de não se escrever</em>? Ilusão de que algo não apenas se articula como também se inscreve, pelo qual, durante um tempo de suspensão, o que seria a relação sexual encontra no ser falante sua marca e sua via de espelhamento?” (p. 175).</p>
<p>Ilusão ou engano num tempo de suspensão, num instante, que esse amor pode escrever a relação sexual e tamponar o real&#8230;</p>
<p>Se tomei o <em>Seminário 8</em> é precisamente porque quis pensá-lo como um antecedente do <em>Seminário 20</em>,  nesse ponto que Lacan enfatiza do discurso de Aristófanes (e que a leitura de Aristófanes como deboche, feita por Miller só faz confirmar). Ao mesmo tempo porque o <em>Seminário 8</em> é um seminário sobre a transferência, sobre a qual gostaria &#8211; se tiver tempo &#8211; de conversar um pouco.</p>
<p>Nessa perspectiva, gostaria de tomar uma frase destacada por Éric Laurent no último testemunho de Sílvia Salman, que para mim foi chave quando preparava este texto para hoje e que me parece um enorme ensinamento para todos, para além, inclusive, no caso de Sílvia.</p>
<p>Lembro a vocês, ela situa o que chama uma “sutil erotomania” que a análise permitiu esculpir. A partir de uma interpretação do analista (“não há que se perder o encanto”) essa forma erotomaníaca do amor foi abalada. Essa interpretação permitiu a ela assim advertir-se daquilo de que convinha desprender-se com relação ao uso fantasmático que fazia através do sintoma, uso de ser fugidia e de fazer se agarrar para poder fugir, tentando assim a cada vez fazer existir a relação sexual e, ao mesmo tempo, fugir do que era preciso preservar, uma vez desligada, uma vez separada desse modo edípico de amar. Foi o que Laurent interpretou, como uma sutil erotomania, quando Sílvia leu seu testemunho. Dar-lhe esse toque, acrescentando o sutil, indica aquilo que ficou como resquício dessa erotomania que comandava a sua vida. Já não é erotomania, agora é &#8220;sutil&#8221;, indicando precisamente outro uso.</p>
<p>Gostei do termo <em>sutil</em> precisamente porque dá conta da dimensão ineliminável desta ilusão, da qual, mesmo quando se está estando advertido, não deixa de ressoar em um determinado empuxo, que não cessa com a tentativa de velamento.</p>
<p>É uma frase que evoca também o Lacan do <em>Seminário 11 </em>quando se pergunta pelo amor no final de análise e o situa em termos de <em>um amor para além dos limites da lei</em>. Poderíamos dizer, para além da lei edípica. Dessa forma, plenamente articulado à repetição, esse amor, além dos limites da lei, sai do circuito da repetição e vem se localizar na contingência. É o que a seguir Lacan situará em termos de <em>um amor mais digno</em>. Penso que podemos dizer que é este amor construído sobre a sua própria castração.</p>
<p>O que quer dizer isso? Um amor fora dos limites da lei? É um amor que não precisa velar que a relação sexual não existe? É um amor que não precisa se iludir aqui e ali?</p>
<p>Gostaria de trazer, então, algo que para mim foi impactante, para poder ir avançando na conversação sobre esse parágrafo que tem, em meu entender, uma riqueza enorme.</p>
<p>Há alguns dias, aconteceu na EOL uma conversação pelo zoom com Jacques-Alan Miller quando da apresentação do livro <em>Como terminam as análises</em>. Nessa ocasião, com relação a uma pergunta sobre o amor mais digno no final da análise, Miller re-perguntou: por que há que se fazer do amor algo mais digno? Ou seja, em que o amor é indigno? E ele situou que o amor é indigno quando se reduz a falatórios sobre o Uno, o Uno unitivo. Um amor, poderíamos dizer, totalmente sustentado na ilusão desse Uno que Miller chama “a estupidez do amor unitivo”. Estupidez porque reside “no apagamento, na negação da experiência efetiva que nos ensinam os fracassos ordinários cotidianos da relação sexual”, e esclarece que talvez não sejam fracassos e sim dificuldades.</p>
<p style="padding-left: 80px;">“Neste discurso – dizia &#8211; que é indigno e ridículo, oposto a todo pensamento digno. Assim, sabemos qual é o fundamento do amor indigno, é a crença na existência da relação sexual. Prescindir desta relação nefasta &#8211; escreve Lacan &#8211; constituiria um amor mais digno que o blá-blá-blá infatigável do amor unitivo. O amor só pode recuperar sua dignidade através do saber, o amor não é nada mais que suplência da relação sexual na medida em que ela não existe”.</p>
<p>E continua:</p>
<p style="padding-left: 80px;">”de que tipo é esta suplência? Segundo Freud a imaginária. Todo amor é narcisista em seu fundamento. Quer dizer, cada um ama a si mesmo através do outro. Mas o amor freudiano não permite sair de si mesmo. O outro do amor se reduz ao eu. Não é assim com Lacan, pelo menos o Lacan do <em>Seminário 20</em>. O amor reúne dois parceiros, cada um de fora, exilado da relação sexual que não existe e que deixa cada ser falante em sua solidão, fora o espelhamento narcísico. O amor não é nada além que um encontro aleatório entre duas solidões (&#8230;) que reconhecem no outro os afetos que resultam da maneira pela qual cada um suporta seu exílio da relação sexual &#8211; é quase uma citação de <em>Mais, ainda</em>. É uma ilusão? Sim, mas que se refere ao real, ao real da inexistência da relação sexual. O amor parece suspender o real impossível da relação sexual e dar a ela existência. Assim trata-se no amor de um parênteses no impossível. Um parênteses que resulta da contingência de um encontro. Isso se traduz na teoria lacaniana pelas modalidades: o impossível, como aquilo que não cessa de não se escrever está suspenso por uma contingência que cessa de não se inscrever. A contingência é o contrário, nesta teoria, do impossível, não da necessidade &#8211; isso é próprio de Lacan &#8211; da necessidade enquanto não cessa de escrever-se. Não há amor necessário que não seja fantasmático”.</p>
<p>Como vemos é um parágrafo muito bonito, pleno de questões das quais gostaria de me servir para hoje.</p>
<p>A neurose, a pleno vapor, tenta pela via do amor escrever o que não cessa de não se escrever, ou seja, a relação sexual que não existe. Vejamos agora: levar uma análise até o final implica ter podido contingentemente, escrever “algo&#8221; disso que não cessa de não se escrever (apesar de tentar fazê-lo). Então, no entanto, algo se escreve. O que não cessa, então, de tentar falhadamente de escrever a relação sexual, que localiza o sujeito agarrado nas ordens superegoicas, que o impele repetidamente a enredar-se nos emaranhados &#8211; dignos, mas difíceis &#8211; do gozo fálico, regando e nutrindo o sintoma e a fantasia.</p>
<p>Por outro lado, outra perspectiva: o que não cessa. É a dimensão da pulsão, uma vez que se elucidou o fantasma e o <em>pathos</em> do sintoma, que permite pensar um novo destino para essa constante pulsional, que tampouco cessa, mas que em certo sentido permite que algo cesse de não se escrever, contingência que possibilita saltar a necessidade, aquela que empuxa para a repetição.</p>
<p>Ponto de chegada que permite diferenciar que o real não é mais somente o impossível, mas o contingente, modo como Miller situava que aquilo que “cessa de ser impossível, cessa de não se escrever”. Ou seja, algo se escreve. Mesmo que apenas por um momento, é algo que é escovado, soprado, alcançado e&#8230; depois volta a não ser escrito. Como disse o meu amigo Marcus (a quem agradeço a tradução) dura o tempo que dura. E é assim que as coisas são. Um real como contingente mais que impossível. Bela fórmula de safra milleriana, que permite ajustar ainda mais a perspectiva do <em>sinthoma</em> com a lógica do não-todo.</p>
<p>Expressões contingentes então da lógica do não-todo que permitem um novo modo de evitar a fixação da função fálica. Já que o que é o falo se não aquele que se situa entre homens e mulheres indicando que a relação sexual, ou seja, a proporção, não existe, mas que paradoxalmente intenta dar uma medida que suporia evitar o mal entendido, quando na realidade não faz nada além de nos desencontrar?</p>
<p>Não menosprezemos, porém. Tal como nos recorda Lacan (em Decolagem)</p>
<p style="padding-left: 80px;">“isso não significa que (as mulheres) não possam ter, com um só, eleito por elas, a satisfação verdadeira-fálica (&#8230;). Para isso é preciso que [ela] acerte. Que acerte com o homem que lhe fale segundo sua fantasia fundamental, a dela (&#8230;). Não ocorre muito frequentemente”.</p>
<p>Não ocorre tão frequentemente então, mas ocorre. Não subestimemos esses encontros.</p>
<p>Se a análise ensina alguma coisa (ao menos no meu caso, entre outras coisas, foi) é que, há algum modo possível de amar e ser amada de outra maneira, ou de, ao menos roçar essa borda. Foi a virada que encontrei. Modo imperfeito, claro, mas que permite sair da pergunta neurótica atormentadora, que supõe localizar no Outro o interrogante sobre seu próprio ser.</p>
<p>Ou seja, tomar a vitalidade que me constituía, nas suas duas faces (isto é, como um golpe de vida que vivifica um corpo nas suas duas dimensões: do tremor aterrorizado e sofredor e daquele que é o sinal de um corpo vivo) permitiu-me dizer que agora essa vitalidade tem um outro uso. Esse novo uso já não é o uso mortificante, mas aquele que agora insiste, implica dar um novo destino à pulsão que não cessa. Por outras palavras, o dizer sempre sim foi sustentado no esforço de fazer existir a relação sexual, capturado também no limite que o dizer sempre sim implica, face ao Não do Outro. É um modo que permanece enredado no sim e no não, que em cada neurose toma sua forma. Esse novo lugar vai para além do dizer sim ou não e permite-nos amar e ser amados de uma nova maneira. É um dizer sim ou não sem o Outro. É um haver, contra o pano de fundo do não haver.</p>
<p>Claro que tenho as minhas angústias, os meus excessos e as minhas dificuldades, mas de vez em quando&#8230; algo se escreve, na contingência.</p>
<p>Ou seja, é uma nova libidinização, uma nova forma de amar, não mais edípica, mas não sem resquícios, que nos lembram que o não-todo é escovado, soprado mas não alcançado. Uma indicação de que o real é indomável. O desvio, sobretudo numa mulher, é uma tentação perigosa, que a castração felizmente limita.</p>
<p>Portanto, iludir-se, ainda.</p>
<p>Iludir-se, ao menos um pouco, sabendo que &#8211; como recordava Miller &#8211; se trata de um parênteses, um <em>stop</em> no impossível. <em>Stop</em> que resulta da contingência de um encontro. Não ocorre em todos os encontros, apenas com alguns e de vez em quando. Aqueles encontros que permitem, de quando em vez, iludir-se ainda.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h5 style="text-align: right;"><span style="color: #ff0000;"><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/15.0.3/72x72/25fc.png" alt="◼" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> </span>Tradução: Marcus André Vieira</h5>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h6><a href="#_ftnref1" name="_ftn1"><sup>[1]</sup></a> Ambos os termos são dicionarizados em português, porém, a penas o primeiro é de uso corrente, como o ilusionar-se em espanhol.</h6>
<h6><a href="#_ftnref2" name="_ftn2"><sup>[2]</sup></a> Este seminário em português leva o título “Mais, ainda”, no original e em espanhol, apenas um termo, <em>encore </em>e<em> aún</em>, ainda.</h6>

		</div>
	</div>
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		<title>&#8230; No princípio, era a ilusão.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[jornadas]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Aug 2023 12:46:49 +0000</pubDate>
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	<div class="wpb_text_column wpb_content_element " >
		<div class="wpb_wrapper">
			<h3></h3>
<h2><span style="color: #ff0000;"><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/15.0.3/72x72/25fc.png" alt="◼" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /></span><strong>&#8230; No princípio, era a ilusão.</strong></h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h5 style="text-align: left;"><span style="color: #ff0000;"><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/15.0.3/72x72/25fc.png" alt="◼" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> </span><strong><em>Sarita Gelbert</em></strong></h5>
<p>Antes de mais nada, queremos agradecer a Marina Recalde, que com sorriso e delicadeza, prontamente aceitou nosso convite. E nos falará do amor após a análise e com uma distância do seu período de AE.</p>
<p>Somos eu, Dinah Kleve e Francisca Menta, muito gratas a Maria Inês Lamy, diretora da seção Rio, e a Marcia Zucchi, diretora do Instituto de Clínica Psicanalítica, pela confiança depositada em nosso trabalho.</p>
<p>Formamos comissões de trabalho, construindo coletivos, das quais vou nomear apenas os coordenadores: Maria Silvia Hanna e Angela Bernardes (comissão científica); Felipe Vianna e Larissa Pinto (comissão de mídia); Sandra Landin e Rodrigo Pires (infraestrutura); Renata Bondim e Marina Sodré (boletim); Vanda Assunção e Maria Correia (tesouraria); Aspazia Barcelos, Débora Souza e Patrícia Patterson (livraria); Ana Luiza de Almeida e Carolina Dutra (festa). Tais coletivos foram fundamentais para a construção deste lançamento e primaram pela generosidade, alegria e solidez.</p>
<p>Para Dinah Kleve e Francisca Menta, não tenho como definir a bela relação de confiança, carinho e solidariedade criada ao longo deste tempo.</p>
<p>A Uerj não foi acaso, foi desejo decidido. Ali começamos nosso trabalho.</p>
<p>Segundo Freud, em “O Futuro de uma Ilusão”, nosso ponto cardeal, ilusão é um recurso de que o <em>falasser</em> lança mão para lidar com o desamparo. “Chamamos, então, uma crença de ilusão, quando em sua motivação a realização do desejo passa para o primeiro plano, assim fazendo desistimos de sua relação com a realidade” (FREUD, 1927).</p>
<p>Miguel de Cervantes, renascentista que se pautava por ilusões, gestou um mundo onde havia moinhos, dulcinéias, rocinantes, escudeiros e regras de cavalaria a serem acatadas. As interpretações variam: desde considerar o Quixote como uma crítica à nobreza e à feudalidade até a noção de que, criando personagens que enfrentavam o mundo dos moinhos, Cervantes espelhava as ilusões dos homens. Isso nos leva à pergunta: O que temos de quixotes, de sancho panças, de dulcinéias? Ou possuímos um traço de cada um?</p>
<p>Nossa vida é povoada por moinhos.  De todos os tipos, sejam moinhos de vento, sejam turbinas eólicas, como quer a modernidade. Com os dois, produzimos a energia que enviamos ou recebemos desde sempre. Criamos vida e criamos ilusões, o imaginário enodado com o simbólico.</p>
<p>Ao pensar nosso tema de hoje, nos remetemos às fantasias quixotescas. Sem saber exatamente o porquê de usar estas referências, caminhamos por sobre estas imagens e estes significantes, buscando o sentido do Quixote perdido. Nesta busca recolhemos amor, discurso e loucura, identificados pela comissão científica.</p>
<p>Em cada um de nós, analistas, analisantes, cidadãos, habita a singularidade que constrói o coletivo que, por sua vez, cria as singularidades. Acreditamos que cada sujeito carrega o seu próprio moinho – nome de nosso boletim.</p>
<p>Apostamos que com a psicanálise sejamos capazes de promover a redução do sentido que sustenta a ilusão para que o desejo caminhe e que cada um possa saber fazer do seu moinho um catavento.</p>

		</div>
	</div>
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		<title>Ilusão nas loucuras, no amor e nos discursos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[jornadas]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Aug 2023 12:45:50 +0000</pubDate>
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			<h3></h3>
<h2><span style="color: #ff0000;"><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/15.0.3/72x72/25fc.png" alt="◼" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /></span><strong>Ilusão nas loucuras, no amor e nos discursos</strong></h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h5 style="text-align: left;"><span style="color: #ff0000;"><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/15.0.3/72x72/25fc.png" alt="◼" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> </span><strong><em>Marcia Zucchi</em></strong></h5>
<p>Boa noite a todos! Agradeço suas presenças reais e virtuais! Agradeço a Marina Recalde, querida amiga da Seção Rio e do ICP, por ter aceito o convite para participar desta abertura, e aos meus colegas desta mesa, em especial Maria Inês Lamy, diretora da EBP-RJ, e a todos que tem trabalhado incansavelmente para que estas Jornadas aconteçam. Cumprimento a todas e todos através das coordenadoras das Jornadas, Sarita Gelbert, Dinah Kleve e Francisca Menta.</p>
<p>Vamos ao nosso tema: Em um sentido psicanalítico, o conceito de ilusão refere-se à distorção da realidade ou à criação de falsas percepções. As ilusões podem assumir as formas de crenças, fantasias ou interpretações equivocadas, e muitas vezes servem como defesas para proteger o indivíduo de verdades dolorosas ou desconfortáveis.</p>
<p>Freud explorou o papel da ilusão na psique humana propondo que as ilusões são o resultado de desejos inconscientes, servindo para satisfazer necessidades e reduzir conflitos internos.  As ilusões permitem a satisfação parcial dos desejos não realizados bem como o tratamento da angústia, fornecendo uma sensação de conforto, embora temporário ou falso, ainda que pela distorção da realidade para se alinhar aos desejos e crenças do sujeito.</p>
<p>Bem, até aqui eu os “iludo” (menos quanto aos agradecimentos&#8230;), não escrevi uma linha sequer desses dois parágrafos acima. Quem o fez foram os robôs do Chat GPT.  Cabe aqui a expressão “quem”? Será que posso me referir a eles como “alguém”? Talvez sim, já que seus programadores estão ali por trás, mas esse resultado foi uma randomização da própria máquina em duas ou três tentativas minhas ao insistir com a pergunta “O que é a Ilusão para a psicanálise?”. Será que se trata de uma ilusão contemporânea essa de que falamos com as máquinas e elas nos respondem?! Nos confundimos com elas? Esse é nosso futuro? Perguntas dos tempos que correm&#8230;</p>
<p>A associação entre a tecnociência e o discurso capitalista nos emprenha de ilusões. Nossos <em>gadgets, </em>que hoje adoramos talvez tanto quanto a nossos corpos. Aliás, eles fazem parte de nossos corpos, nos fornecendo uma gama insuperável de ilusões e de pseudo-satisfações – quem resiste a uma boa dose de Instagram? Saia sem celular e viva a experiência do desamparo. Aliás, desamparo que é o sentimento que Freud observou na base das ilusões. Especialmente como defesa, no caso do sentimento religioso.</p>
<p>Poderíamos falar aqui por horas sobre esse tema, mas vou me restringir aos meus cinco minutos e me servir deles para salientar a importância do tema escolhido para essas Jornadas. Num momento onde estamos nos defrontando com mais um dos muitos ataques à nossa prática da psicanálise (que se estende pelos últimos 130 anos), ataques às nossas pesquisas e ataques à nossa clínica (reduzindo-as, como no final do século XIX, ao campo da sugestão e das “bobagens” – outros nomes da ilusão), nosso trabalho nestas Jornadas será o de resgatar a dignidade e o valor das ilusões para a teoria, para a clínica e para a vida dos seres falantes – como vocês poderão observar nos excelentes argumento geral e nos argumentos dos eixos.</p>
<p>Nesse sentido, aproveito aqui para convidar, mais uma vez, toda a comunidade do ICP-RJ a se engajar no trabalho de pesquisa sobre o tema “Ilusão nas loucuras, no amor e nos discursos”. Aproveito, também, para já divulgar os dois cursos que o ICP oferecerá nas Jornadas. Eles ocorrerão na própria UERJ, um imediatamente após o outro, no mesmo auditório:</p>
<ul>
<li><u>Ilusões nas loucuras</u></li>
</ul>
<p>Ministrado por José Marcos Moura (EBP-AMP) e Paula Borsoi (EBP-AMP). Sexta-feira, dia 24 de novembro, das 9h às 10h20.</p>
<ul>
<li><u>Ilusão no amor</u></li>
</ul>
<p>Ministrado por Ana Lucia Lutterbach Holk (EBP-AMP) e Thereza De Felice (Associada do ICP-RJ). Sexta-feira, dia 24 de novembro, das 10h40 às 12h.</p>

		</div>
	</div>
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		<title>Editorial Moinhos #06</title>
		<link>https://jornadasebprioicprj.com.br/2023/editorial-moinhos-06/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[jornadas]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Aug 2023 12:43:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[TEXTOS]]></category>
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					<description><![CDATA[]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<section class="wpb-content-wrapper"><div data-vc-full-width="true" data-vc-full-width-init="false" class="vc_row wpb_row vc_row-fluid vc_custom_1692018067493"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12 vc_col-has-fill"><div class="vc_column-inner vc_custom_1691090958120"><div class="wpb_wrapper">
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			<h3></h3>
<h2><span style="color: #ff0000;"><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/15.0.3/72x72/25fc.png" alt="◼" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /><span style="color: #000000;">Editorial</span></span></h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O lançamento das 30as. Jornadas Clínicas da EBP-Rio/ICP-RJ aconteceu no dia 31 de julho. Maria Inês Lamy, diretora da EBP-Rio, iniciou a noite nos revelando a origem da escolha do tema Ilusão para estas Jornadas, e a diretora do ICP/RJ, Marcia Zucchi, nos provocou com articulações muito contemporâneas entre o tema Ilusão e as vicissitudes de nossa época.</p>
<p>A transmissão de valiosos ecos já sugeridos pelo tema de nossas Jornadas, que nos levarão a trabalhar, continuou com Sarita Gelbert, que, além de contar sobre a inspiração para o nome Moinhos para o Boletim destas Jornadas,  nos instigou com ricas pegadas para seguirmos na pesquisa sobre a Ilusão nos nossos tempos.</p>
<p>Sarita agradeceu a luxuosa parceria com Dinah Kleve e Francisca Menta no compartilhamento da Coordenação das Jornadas e a  dedicação de todos os integrantes das Comissões em nome de seus respectivos Coordenadores.</p>
<p>A noite de lançamento contou também com a preciosa conferência &#8220;Iludir-se, ainda&#8221;, proferida pela nossa querida colega Marina Recalde, da Escuela de la Orientación Lacaniana, que ressoa em nossa comunidade.</p>
<p>Marina revela que o primeiro impacto causado pela pergunta “o que é ilusão para você?” resultou em outras tantas que acabaram por orientar a sua transmissão: “Por que renunciar à ilusão? Se nos curamos disso o que resta? Queremos nos curar disso? O que seria nos curarmos da ilusão?”</p>
<p>Seguindo os ventos propagados pelos Seminários de Lacan, em especial o Seminário 20, que fala, entre outras coisas, do amor, alternando com o Seminário 8, que fala sobre a transferência, Marina abre as Jornadas convocando-nos a refletirmos sobre o “Iludir-se, ainda” que não cessa de não se inscrever na vida dos falasseres.</p>
<p>Por fim, Maria Silvia Hanna e Angela Bernardes, coordenadoras da comissão científica, apresentaram o argumento e os eixos de trabalho. Doris Diogo, diretora de cartéis e intercâmbio, fez o convite de trabalho em cartel.</p>
<p>A seguir, disponibilizamos os textos de Maria Inês Lamy, Marcia Zucchi, Sarita Gelbert e Marina Recalde.</p>

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		<title>Ilusão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[jornadas]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Aug 2023 12:42:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[TEXTOS]]></category>
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					<description><![CDATA[]]></description>
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			<h3></h3>
<h2><span style="color: #ff0000;"><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/15.0.3/72x72/25fc.png" alt="◼" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> <span style="color: #000000;">Ilusão</span></span></h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h5 style="text-align: left;"><span style="color: #ff0000;"><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/15.0.3/72x72/25fc.png" alt="◼" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> </span><strong><em>Maria Inês Lamy</em></strong></h5>
<p>Pela sequência dos temas escolhidos para nossas Jornadas nos últimos anos [&#8220;Exílios&#8221; (2020), &#8220;Os nomes da vida&#8221; (2021) e &#8220;Lógicas coletivas nos tempos que correm&#8221; (2022)], podemos notar que a EBP-Rio tem tratado de questões que se voltam para a ‘subjetividade da época’. O mal-estar dos dias de hoje nos desafia. Após os últimos quatro anos, em que, em meio a vários tipos de horror, nos vimos imersos nas chamadas ‘disputas de narrativas’, muito restou que nos coloca a trabalho. Dentre esses restos que intrigam, situa-se o estatuto da ilusão. Sem ela não se vive. Mas qual seu lugar?</p>
<p>Como bem disse um menino entrevistado pelo Moinhos (o boletim das Jornadas): “ilusão é uma invenção do que é a realidade”. O campo da realidade é inventado. Vivemos num mundo de semblantes, em que simbólico e imaginário se unem para fazer frente ao real. Já dizia Freud que há ‘perda da realidade’ (&#8216;realidade&#8217;, nessa expressão freudiana, aproxima-se do &#8216;real&#8217; de Lacan) não só na psicose mas também na neurose. Lacan, seguindo essa trilha, concluiu que &#8216;todo mundo delira&#8217;.</p>
<p>No entanto, o real insiste. No texto freudiano “O futuro de uma ilusão” (1927), a natureza – com suas calamidades, doenças e morte – apresenta-se como um dos nomes do real. “A vida é difícil de suportar”, diz Freud. Diante das forças inexoráveis do destino, o ser humano, vendo-se em desamparo, apela à ilusão. Com isso, o desejo se mantém e alguma satisfação é preservada. Mas de que ordem será a ilusão inventada por cada sujeito? E qual sua função?</p>
<p>Um outro entrevistado definiu ilusão com uma só expressão: <em>fake news</em>. De que maneira então se haver com a ilusão sem se encerrar em bolhas, tentando tamponar o real? O que faz a verdade mentirosa, que rege cada sujeito, não ser sinônimo de <em>fake news</em>?</p>
<p>Em suma, muitas perguntas se abrem a partir da ideia inicial. O Argumento das Jornadas e os três eixos temáticos, redigidos de forma brilhante pela Comissão Científica, desdobram o tema e as questões, nos convidando ao trabalho.</p>
<p>A ilusão nos chama!</p>
<p><strong>Agradecimentos</strong></p>
<p>Em nome da diretoria, agradeço a todo pessoal que aceitou embarcar conosco nessa jornada. Antes de tudo, a Sarita Gelbert, que não titubeou em aceitar o convite para coordenar as Jornadas, e também a Dinah Kleve e a Francisca Menta, companheiras de Sarita na Coordenação, além dos participantes das diversas comissões. Acompanho os efeitos desse trabalho que tem se dado com dedicação e alegria. Agradeço também à Comissão Científica, coordenada por Angela Bernardes e Maria Silvia Hanna, que, nas discussões e na escrita do argumento e dos eixos temáticos, já fez as questões avançarem, convidando a novas elaborações. Obrigada ainda a Marcia Zucchi, diretora do ICP-RJ, pela parceria produtiva. Por fim, agradeço a Marina Recalde, que aceitou o convite para participar desse momento inaugural das nossas Jornadas, com a intervenção “Iludir-se ainda”. <em>Muchas gracias!</em></p>

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