{"id":19,"date":"2022-07-04T13:46:30","date_gmt":"2022-07-04T16:46:30","guid":{"rendered":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2022\/?page_id=19"},"modified":"2022-07-19T16:49:26","modified_gmt":"2022-07-19T19:49:26","slug":"eixo-2-bolhas-hashtags-engajamento-incidencias-digitais","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2022\/eixo-2-bolhas-hashtags-engajamento-incidencias-digitais\/","title":{"rendered":"Eixo 2 \u2013 Bolhas, hashtags, engajamento: incid\u00eancias digitais"},"content":{"rendered":"[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;101&#8243; img_size=&#8221;full&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;50px&#8221;][vc_column_text]\n<h3><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><span style=\"font-family: source-sans-pro-black; color: #000000;\"><strong>Eixo 2 \u2013 Bolhas, <em>hashtags<\/em>, engajamento: incid\u00eancias digitais<\/strong><\/span><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-family: source-sans-pro-black; color: #000000; font-size: 12pt;\">Por Isabel Duarte e Rodrigo Lyra<\/span><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Georgia, Palatino; color: #000000;\"><span style=\"font-family: source-sans-pro-black; font-size: 36pt; color: #ff0000;\">C<\/span>om ou sem pandemia, a internet e os aparelhos tecnol\u00f3gicos se embrenham nos corpos. Cada rede social, cada aplicativo, cada <em>game<\/em>, cada mecanismo de busca funciona a partir de uma l\u00f3gica pr\u00f3pria, desenvolvida e mantida por seres humanos, mas automatizada pelos chamados <em>algoritmos<\/em>, uma camada invis\u00edvel que se imp\u00f5e como mediadora da vida. Na pr\u00e1tica, quase sempre que usamos a internet para nos informar, nos divertir, publicar opini\u00f5es, solicitar servi\u00e7os, fazer compras etc., somos em algum grau pautados por esses algoritmos, nos quais est\u00e3o embutidos os valores e os interesses dos atores que os controlam.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Georgia, Palatino; color: #000000;\">Nesse ambiente, paradoxos proliferam. H\u00e1 tantas novas formas de ganhar a vida, mas qu\u00e3o profundas s\u00e3o as tend\u00eancias de precariza\u00e7\u00e3o do trabalho. O alcance para a express\u00e3o de opini\u00f5es e da criatividade \u00e9 admir\u00e1vel, mas o que \u00e9 r\u00e1pido e reducionista se dissemina mais facilmente. Diversos gostos, interesses e formas de ser encontram m\u00faltiplas refer\u00eancias e vivas comunidades, mas os meandros impercept\u00edveis dos algoritmos reinscrevem perigosamente a opress\u00e3o e o racismo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Georgia, Palatino; color: #000000;\">Miramos esses e tantos outros paradoxos com um duplo interesse. De um lado, a leitura <em>macro<\/em> do momento da civiliza\u00e7\u00e3o; de outro, o universo \u00fanico que se cria a cada vez que ouvimos algu\u00e9m na experi\u00eancia da psican\u00e1lise. Este eixo transita, portanto, entre um esfor\u00e7o democr\u00e1tico de que a sociedade conquiste mais lucidez sobre os efeitos das tecnologias \u2013 o que vem sendo chamado de <em>tecnopol\u00edtica<\/em> \u2013 e o recolhimento de achados cl\u00ednicos sobre a vida falante e sexual em meio a tamanhas novidades.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Georgia, Palatino; color: #000000;\">Freud, por\u00e9m, j\u00e1 apontava que n\u00e3o existem dois lados, nem duas dimens\u00f5es. O texto de orienta\u00e7\u00e3o dessas Jornadas \u2013 <em>Psicologia das massas e an\u00e1lise do eu<\/em> \u2013\u00a0\u00e9 um dos grandes marcos da perspectiva freudiana, segundo a qual a o <em>eu<\/em> \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o eminentemente coletiva, e os coletivos s\u00f3 podem ser compreendidos quando se levam em conta tend\u00eancias pulsionais singulares.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Georgia, Palatino; color: #000000;\">Tanto tempo ap\u00f3s essas li\u00e7\u00f5es freudianas, vemos hoje a internet povoada por redes sociais compostas de perfis individuais, clar\u00edssimas visualiza\u00e7\u00f5es do quanto <em>sociedade <\/em>e <em>indiv\u00edduo <\/em>s\u00e3o categorias artificiais e inoperantes, quando entendidas como entes distintos. Interessam-nos, assim, as tantas dobradi\u00e7as insond\u00e1veis pelas quais algo do real se exibe, ora no espa\u00e7o do Outro, ora no campo da individualidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Georgia, Palatino; color: #000000;\">Uma grande preocupa\u00e7\u00e3o da tecnopol\u00edtica atual, que conversa de perto com questionamentos inerentes \u00e0 psican\u00e1lise, pode nos servir como porta de entrada. O ambiente <em>on-line<\/em> promete ser a realiza\u00e7\u00e3o m\u00e1xima da liberdade, j\u00e1 que n\u00e3o imp\u00f5e censuras ou controles externos para a navega\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, o uso dos nossos dados pessoais e a arquitetura das redes sociais arriscam produzir o que nossa convidada Fernanda Bruno chama de \u201csequestro do futuro\u201d, onde nossos comportamentos seriam calculados e manipulados a servi\u00e7o do mercado. Interessa-nos localizar o que h\u00e1 de diferente entre esse processo atual de determinismo e a perda constitutiva de liberdade que a aliena\u00e7\u00e3o ao Outro imp\u00f5e como etapa inescap\u00e1vel da constitui\u00e7\u00e3o do sujeito.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Georgia, Palatino; color: #000000;\">A perspectiva da psican\u00e1lise sempre frisou que, por serem vividos atrav\u00e9s das malhas da linguagem, com seus limites, impossibilidades e lugares marcados, a sexualidade e o corpo t\u00eam um car\u00e1ter necessariamente problem\u00e1tico para cada um. Ocorre que afirmar esse<em>\u00a0car\u00e1ter problem\u00e1tico<\/em>\u00a0como necess\u00e1rio e estrutural n\u00e3o significa ignorar o quanto sua experi\u00eancia e sua manifesta\u00e7\u00e3o variam profundamente quando mudam as circunst\u00e2ncias em cada \u00e9poca.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Georgia, Palatino; color: #000000;\">Aqui se inscreve a pesquisa que define este eixo. Bolhas,<em> hashtags<\/em>, engajamento s\u00e3o termos da moda, mas s\u00e3o tamb\u00e9m refer\u00eancias e pontos de apoio para uma pesquisa coletiva sobre a polariza\u00e7\u00e3o, o ativismo e as manifesta\u00e7\u00f5es poss\u00edveis do inconsciente no ritmo de um campo digital que levou ao extremo a meton\u00edmia capitalista, onde h\u00e1 sempre mais um objeto \u00e0 mostra para capturar a aten\u00e7\u00e3o, os dados, o dinheiro. Em suma, investigamos os modos atuais de acessar ou recusar \u2013 tudo aquilo que surge como estranheza e nos perturba.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Georgia, Palatino; color: #000000;\">Seja pela din\u00e2mica pr\u00f3pria das redes sociais, seja pelo levante de incont\u00e1veis movimentos emancipat\u00f3rios que tensionam os consensos, o ambiente est\u00e1 claramente conflagrado; e os tempos correm&#8230; Nesse contexto, \u00e9 in\u00fatil desejar que afirma\u00e7\u00f5es de identidade venham publicamente acompanhadas de testemunhos de divis\u00e3o subjetiva, \u00e0 moda antiga. Em lugar de denunciar um dos imposs\u00edveis da \u00e9poca, podemos reconhecer que agora \u00e9 preciso criar espa\u00e7os suficientemente leg\u00edtimos para que os sujeitos consintam em endere\u00e7ar a algu\u00e9m aquilo que lhes causa estranheza. Como faz\u00ea-lo, como temos feito? Seja na experi\u00eancia individual de uma an\u00e1lise, seja nos desafios coletivos, s\u00e3o perguntas que nos re\u00fanem neste eixo das Jornadas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Georgia, Palatino; color: #000000;\">[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/span>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;101&#8243; img_size=&#8221;full&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;50px&#8221;][vc_column_text] &nbsp; &nbsp; Eixo 2 \u2013 Bolhas, hashtags, engajamento: incid\u00eancias digitais &nbsp; &nbsp; Por Isabel Duarte e Rodrigo Lyra &nbsp; Com ou sem pandemia, a internet e os aparelhos tecnol\u00f3gicos se embrenham nos corpos. 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