{"id":17,"date":"2022-07-04T13:46:19","date_gmt":"2022-07-04T16:46:19","guid":{"rendered":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2022\/?page_id=17"},"modified":"2022-10-18T17:48:11","modified_gmt":"2022-10-18T20:48:11","slug":"eixo-1-psicanalise-e-politica-ativismo-revisitado","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2022\/eixo-1-psicanalise-e-politica-ativismo-revisitado\/","title":{"rendered":"Eixo 1 \u2013 Psican\u00e1lise e pol\u00edtica: ativismo revisitado"},"content":{"rendered":"[vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<p style=\"text-align: left;\">[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;101&#8243; img_size=&#8221;full&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;50px&#8221;][vc_column_text]\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: source-sans-pro-black; color: #ff0000;\"><strong>Eixo 1 \u2013 Psican\u00e1lise e pol\u00edtica: ativismo revisitado<\/strong><\/span><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: source-sans-pro-black; color: #000000; font-size: 12pt;\">Por Renata Martinez<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: source-sans-pro-black; font-size: 10pt; color: #999999;\">Setembro de 2022<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: source-sans-pro-black; color: #ff0000; font-size: 36pt;\">A<\/span>\u00a0 <span style=\"font-family: Georgia, Palatino; color: #000000;\">psican\u00e1lise e os psicanalistas est\u00e3o sempre \u00e0s voltas com mudan\u00e7as: sejam elas impostas pelo esp\u00edrito do tempo sejam aquelas empreendidas no percurso de uma cura, onde o analista, seu desejo e seu discurso est\u00e3o atentos \u00e0s inven\u00e7\u00f5es singulares. Esse movimento em dire\u00e7\u00e3o ao in\u00e9dito, recolhido e constru\u00eddo dos restos e excessos de uma vida, implementa o que os analistas lacanianos costumam nomear como Pol\u00edtica do Sinthoma. Na cl\u00ednica do \u201cum a um\u201d, entre singular e universal, se exerce a pol\u00edtica da psican\u00e1lise.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Georgia, Palatino; color: #000000;\">No \u201cum a um\u201d revela-se tamb\u00e9m o movimento da Escola como coletivo, outra vertente dessa pol\u00edtica. A aposta Escola \u2013 entre os acontecimentos que a comp\u00f5e e os desejos que a sustentam \u2013 compreende em si um paradoxo descrito por Jacques Alain Miller em sua <i>Teoria de Turim<\/i>: \u201cuma forma\u00e7\u00e3o coletiva que n\u00e3o pretende fazer desaparecer a solid\u00e3o subjetiva, mas que pelo contr\u00e1rio, se funda nela, a manifesta, a revela.\u201d<span style=\"font-family: source-sans-pro-black;\"><a class=\"sdfootnoteanc\" style=\"color: #000000;\" href=\"#sdfootnote1sym\" name=\"sdfootnote1anc\"><sup>1<\/sup><\/a><\/span> Um funcionamento bastante diverso daquele dos grupos descrito por Freud em <i>Psicologia das Massas e An\u00e1lise do eu<\/i>, e que s\u00f3 se torna poss\u00edvel na medida em que cada um dos membros desse \u201ccoletivo de solid\u00f5es\u201d est\u00e1 advertido da rela\u00e7\u00e3o entre causa e Ideal, consentindo com os furos e com a perda de gozo fundamental implicada no processo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Georgia, Palatino; color: #000000;\">A paisagem atual \u00e9 composta por uma verdadeira explos\u00e3o de movimentos sociais e coletivos, cuja marca comum est\u00e1 na for\u00e7a que imprimem. Feministas, trans, negras, negros, l\u00e9sbicas, ind\u00edgenas, sem-terra, sem-teto e tantos outros s\u00e3o as minorias e os minorizados que, agrupados, t\u00eam voz ativa e visibilidade, escapando, assim, da ferocidade de um sistema que as quer fora da cena. Decididamente sustentados por um tra\u00e7o comum, por alguma identidade, esses corpos mostram-se, atuam, ocupam novos espa\u00e7os e provocam rea\u00e7\u00f5es as mais diversas, convocando a sociedade a repensar antigas coordenadas.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Georgia, Palatino; color: #000000;\">Esse verdadeiro mosaico urbano reflete a subvers\u00e3o de toda a l\u00f3gica entre universal, particular e singular, e bagun\u00e7a ou pluraliza a suposi\u00e7\u00e3o de saber. De forma geral, esses novos ativismos, muitas vezes sustentados pelas chamadas pol\u00edticas identit\u00e1rias ou culturais, s\u00e3o tomados por sua vertente pejorativa e v\u00eam sofrendo questionamentos no sentido de conduzirem a uma redu\u00e7\u00e3o eg\u00f3ica, demasiadamente imagin\u00e1ria e avessa \u00e0 alteridade, ao inconsciente e \u00e0 pr\u00f3pria psican\u00e1lise. Como nos situar nesse cen\u00e1rio complexo? Ser\u00e1 que a perspectiva psicanal\u00edtica \u00e9 de fato incompat\u00edvel com as perspectivas das demandas dos coletivos que de forma expressiva oferecem nome e exist\u00eancia a esses corpos subalternizados? N\u00e3o seria esse rearranjo tamb\u00e9m uma oportunidade de, justamente, propiciar a apari\u00e7\u00e3o de formas mais plurais, favorecendo aberturas e lugar ao diferente?<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Georgia, Palatino; color: #000000;\">Podemos pensar que nesse debate o equ\u00edvoco estaria em salvaguardar um lugar extraterritorial para a psican\u00e1lise, de onde partiriam cr\u00edticas e combate a um mundo visto unicamente como identit\u00e1rio e fechado ao inconsciente. Temos a impress\u00e3o de que, desse modo \u2013 na contram\u00e3o do que nos alertou Freud sobre a psican\u00e1lise n\u00e3o ser uma <i>Weltanchaung<\/i>, uma vis\u00e3o de mundo \u2013, apenas somos acusados de sustentar um discurso pseudo-desidentit\u00e1rio, no intuito de ocultar opress\u00f5es para melhor exerc\u00ea-las.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Georgia, Palatino; color: #000000;\">Na dire\u00e7\u00e3o de alcan\u00e7ar no horizonte a subjetividade de nossa \u00e9poca, nos cabe, inversamente a isso, acolher os movimentos, encontrando neles mesmos as brechas por onde o inconsciente aparece. Nesse intuito, no Eixo 1 dessas Jornadas, queremos centrar nossas discuss\u00f5es em torno desse ponto buscando onde a psican\u00e1lise pode a\u00ed se enla\u00e7ar. Como nos deixar atravessar pelas novas caras da vida pol\u00edtica contempor\u00e2nea e saber descobrir nelas o real t\u00e3o caro \u00e0 psican\u00e1lise?<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Georgia, Palatino; color: #000000;\">Encontramos no ativismo de Helena Silvestre, nossa convidada para a 1\u00aa Plen\u00e1ria, um modo muito claro de entender a vida como atividade pol\u00edtica. Sua escrita \u00e9 corte e costura, que alinhava palavras a partir de uma necessidade essencial de comunidade e de mudan\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Georgia, Palatino; color: #000000;\">Em seu livro <i>Notas sobre a fome,<\/i> aprendemos a experi\u00eancia viva de formar coletivos de diversos. Ocupa\u00e7\u00f5es, movimentos e grupos s\u00e3o seus \u201cinventos-militantes\u201d<span style=\"font-family: source-sans-pro-black;\"><a class=\"sdfootnoteanc\" style=\"color: #000000;\" href=\"#sdfootnote2sym\" name=\"sdfootnote2anc\"><sup>2<\/sup><\/a><\/span>, onde o paradoxo do Um e do M\u00faltiplo se apresenta sem inviabilizar a possibilidade de exist\u00eancia desses conjuntos, que t\u00eam unidade, mas que n\u00e3o necessariamente achatam ou tornam homog\u00eanea a multiplicidade e as diferen\u00e7as de seus componentes. \u201cOrbitando incompletudes\u201d<span style=\"font-family: source-sans-pro-black;\"><a class=\"sdfootnoteanc\" style=\"color: #000000;\" href=\"#sdfootnote3sym\" name=\"sdfootnote3anc\"><sup>3<\/sup><\/a><\/span>, ela constr\u00f3i sua a\u00e7\u00e3o na montagem e uso dos in\u00fameros coletivos que prescindem de um universal para existir, durar e transformar o mundo, \u201cconvidando a mover e a saltar da aparente condi\u00e7\u00e3o de imobilidade para uma condi\u00e7\u00e3o de movimento org\u00e2nico, imposs\u00edvel de ser apropriado por qualquer definidor est\u00e1tico\u201d<span style=\"font-family: source-sans-pro-black;\"><a class=\"sdfootnoteanc\" style=\"color: #000000;\" href=\"#sdfootnote4sym\" name=\"sdfootnote4anc\"><sup>4<\/sup><\/a><\/span>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Georgia, Palatino; color: #000000;\">Seguiremos trabalhando o tema juntos e, desse encontro na Plen\u00e1ria, buscaremos tecer algumas poss\u00edveis respostas para as tantas perguntas que nos movem nessa pesquisa. Para isso, esperamos contar tamb\u00e9m com os Gr\u00e3os enviados por voc\u00eas para as discuss\u00f5es nos pequenos grupos. Ao trabalho e at\u00e9 novembro!<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"sdfootnote1\">\n<p><strong><span style=\"font-family: source-sans-pro-black;\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote1anc\" name=\"sdfootnote1sym\">1<\/a><sup>\u0002<\/sup><\/span><\/strong> <span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: source-sans-pro-black, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">MILLER<\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">, Jacques-Alain. &#8220;Teoria de Turim: sobre o sujeito da Escola&#8221;.<\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">\u00a0<\/span><\/span><\/span><strong><span style=\"color: #101010;\"><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Op\u00e7\u00e3o Lacaniana Online<\/span><\/span><\/span><\/strong><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">, Ano 7, n. 21, nov. 2016. 16 p. ISSN 21772673. Dispon\u00edvel em:<\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">\u00a0<\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><a href=\"http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_21\/teoria_de_turim.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_21\/teoria_de_turim.pdf<\/a>. Acesso em: 13 jul. 2022.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote2\">\n<p><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: source-sans-pro-black;\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote2anc\" name=\"sdfootnote2sym\">2<\/a><sup>\u0002<\/sup><\/span> <span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: source-sans-pro-black, serif;\">SILVESTRE<\/span><\/span><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Georgia, serif;\">, Helena.\u00a0<\/span><\/span><span style=\"color: #101010;\"><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><b>Notas sobre a fome<\/b><\/span><\/span><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Georgia, serif;\">. S\u00e3o Paulo<\/span><\/span><span style=\"color: #101010;\"><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><b>:\u00a0<\/b><\/span><\/span><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Georgia, serif;\">Express\u00e3o Popular, 2021. 144 p. ISBN 9786558910350, pg. 68.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote3\">\n<p><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote3anc\" name=\"sdfootnote3sym\"><span style=\"font-family: source-sans-pro-black;\">3<\/span><\/a><sup>\u0002<\/sup> <span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: source-sans-pro-black, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Idem,<\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"> pg. 70.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote4\">\n<p><span style=\"font-family: source-sans-pro-black;\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote4anc\" name=\"sdfootnote4sym\">4<\/a><sup>\u0002<\/sup><\/span> <span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: source-sans-pro-black, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Idem, <span style=\"font-family: Georgia, Palatino;\">pg, 68.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-family: Georgia, Palatino; font-size: 36pt; color: #ff0000;\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ffffff;\">|<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ffffff;\">|<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ffffff;\">|<\/span><\/p>\n<h6 align=\"JUSTIFY\"><\/h6>\n<h6 align=\"JUSTIFY\"><\/h6>\n<h6 align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: source-sans-pro-black; color: #000000; font-size: 12pt;\">Por Ana Lucia Lutterbach e Cleyton andrade<\/span><\/h6>\n<p><span style=\"font-family: source-sans-pro-black; font-size: 10pt; color: #999999;\">Abril de 2022<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: Georgia, Palatino; color: #000000;\"><span style=\"font-family: source-sans-pro-black; font-size: 36pt; color: #ff0000;\">S<\/span>abe o que estava acontecendo h\u00e1 cem anos? Muita coisa&#8230; Foi nesse contexto que, em 1921, Freud publicou <i>Psicologia das massas e an\u00e1lise do eu<\/i>. Em 1920, ao mesmo tempo em que escrevia a primeira vers\u00e3o deste texto, ele publicou <i>Al\u00e9m do princ\u00edpio de prazer<\/i>. A\u00ed voc\u00ea pode dizer que tem muito tempo e que isso ficou para tr\u00e1s, que est\u00e1 ultrapassado, ficou velho&#8230; Isso tem alguma coisa a ver com os dias que correm? A psican\u00e1lise tem alguma coisa a ver com o que est\u00e1 acontecendo?<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000; font-family: Georgia, Palatino;\">Tem muita coisa acontecendo hoje no Brasil e no mundo. O ano de 2022 \u00e9 complicado demais para se fazer uma lista de coisas que est\u00e3o pegando fogo. Mas n\u00f3s, psicanalistas da EBP, Se\u00e7\u00e3o Rio de Janeiro, queremos ter uma conversa sobre a psicologia das massas, os coletivos, os movimentos, e a tal an\u00e1lise do Eu de que falava Freud. Dizem que a pr\u00f3pria psican\u00e1lise est\u00e1 ultrapassada. Dizem que ela s\u00f3 se ocupa da cl\u00ednica, que \u00e9 s\u00f3 para a elite e que n\u00e3o se interessa por outros assuntos sociais, da cultura, da pol\u00edtica. Ent\u00e3o, o que ela tem a ver com tudo isso? Tudo.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000; font-family: Georgia, Palatino;\">Nesse texto de 1921, Freud misturou uma reflex\u00e3o cl\u00ednica e metapsicol\u00f3gica da teoria das puls\u00f5es com reflex\u00f5es sociais, pol\u00edticas e ainda com uma quest\u00e3o est\u00e9tica. Ao inv\u00e9s de virar uma miscel\u00e2nea, passou a ser uma orienta\u00e7\u00e3o. Ele embarcou na ideia de que o individual e o social n\u00e3o eram t\u00e3o separados assim. Ele incluiu a dimens\u00e3o metapsicol\u00f3gica na psicologia social. O resultado foi que a psicologia das massas ou psicologia social, dos coletivos, ajudou a entender a constitui\u00e7\u00e3o subjetiva, e, ao mesmo tempo, a discuss\u00e3o sobre o sujeito e o Eu, e passou a ser uma m\u00e3o na roda para saber o que estava em jogo nos grandes grupos e coletivos.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000; font-family: Georgia, Palatino;\">Vemos a\u00ed que o Eu pode se dissolver na massa. Essa mistura louca entre massa e eu \u00e9 porque os dois funcionam com a libido. A ideia \u00e9 t\u00e3o radical que \u00e9 uma porta aberta para pensar uma cl\u00ednica do la\u00e7o social. Pois \u00e9, cada um vai encontrar a sua leitura: \u00e9 um texto cl\u00ednico para uns, \u00e9 um texto social para outros, um texto de reflex\u00e3o pol\u00edtica para outros ainda. Qual a sua leitura?<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000; font-family: Georgia, Palatino;\">Durante a Segunda Grande Guerra, esse texto caiu como uma luva para Bion pensar um trabalho com os grupos com rela\u00e7\u00f5es horizontais. Era sem l\u00edder, o grupo se reunia em torno da tarefa. Mas n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples. N\u00e3o tem l\u00edder, mas o lugar n\u00e3o fica vazio. D\u00e1 at\u00e9 para pensar o cartel. A fun\u00e7\u00e3o do mais-Um, num grupo horizontal, j\u00e1 mostra que n\u00f3s, lacanianos, estamos comprometidos com coletivos sem deixar de lado o um-a-um.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000; font-family: Georgia, Palatino;\">Nessa perspectiva de coletivos e grupos, o pr\u00f3prio Lacan se valeu desse texto de 1921 para pensar tamb\u00e9m o tempo l\u00f3gico. Vemos, assim, que os coletivos j\u00e1 est\u00e3o na nossa tradi\u00e7\u00e3o, agora \u00e9 colocar na roda.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000; font-family: Georgia, Palatino;\">N\u00e3o queremos deixar de dizer que foi a partir do texto de Freud que Adorno nos advertiu sobre as <i>fake news<\/i>, afirmando que elas s\u00e3o um instrumento fascista. A propaganda fascista n\u00e3o cai nessa de usar argumentos racionais. Ela intui que isso n\u00e3o seduz as massas que s\u00f3 se juntam em torno de coisas irracionais, quando \u00e9 o afeto que prevalece. Portanto, tem a\u00ed um aspecto em que est\u00e9tica se junta com a pol\u00edtica. Tudo isso para que a gente se d\u00ea conta de que inconsciente e puls\u00e3o, libido, gozo, identifica\u00e7\u00e3o, ideal s\u00e3o obrigat\u00f3rios para discutir a sociedade, a pol\u00edtica. A psican\u00e1lise pensa a cultura sem deixar de ser cl\u00ednica \u2013 esse \u00e9 o ponto.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000; font-family: Georgia, Palatino;\">Os movimentos sociais est\u00e3o a\u00ed. E n\u00e3o est\u00e3o para brincadeira. Inclusive porque todas as grandes mudan\u00e7as da hist\u00f3ria vieram n\u00e3o de um ou outro indiv\u00edduo, mas, sempre, dos movimentos coletivos. A hist\u00f3ria se movimenta com os movimentos. Eles est\u00e3o a\u00ed para lembrar que o neoliberalismo arrumou um jeito de desarticular os coletivos. Pensar s\u00f3 o indiv\u00edduo pode ser uma a\u00e7\u00e3o met\u00f3dica, uma opera\u00e7\u00e3o do capital. Dizer que os coletivos s\u00e3o bobagens ou mero imagin\u00e1rio j\u00e1 \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o necessariamente uma constata\u00e7\u00e3o. O que voc\u00ea acha? Os coletivos podem furar o Outro que posa de n\u00e3o barrado?<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000; font-family: Georgia, Palatino;\">A \u00e9tica da psican\u00e1lise, tal como nos prop\u00f5e Lacan com Freud, \u00e9 tamb\u00e9m uma pol\u00edtica na medida em que permite ao sujeito se dar conta de que ele est\u00e1 no mundo n\u00e3o como um mero espectador, nem v\u00edtima, mas est\u00e1 implicado no mundo, \u00e9 respons\u00e1vel pelo o que lhe acontece, como tamb\u00e9m pelo destino dado ao seu pr\u00f3prio gozo. Nesse caso, poder\u00edamos dizer que a psican\u00e1lise, mesmo na cl\u00ednica, n\u00e3o se op\u00f5e ao ativismo.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000; font-family: Georgia, Palatino;\">\u00c9 sobre isso que queremos conversar, sobre psican\u00e1lise e pol\u00edtica, e sobre os coletivos como uma maneira de cada um, do seu jeito, se servir para sair da in\u00e9rcia ou do jugo, para tomar a palavra.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #000000; font-family: Georgia, Palatino;\">Bora l\u00e1 escrever, vamos conversar!<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] [\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;101&#8243; img_size=&#8221;full&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;50px&#8221;][vc_column_text] &nbsp; &nbsp; &nbsp; Eixo 1 \u2013 Psican\u00e1lise e pol\u00edtica: ativismo revisitado &nbsp; &nbsp; Por Renata Martinez Setembro de 2022 &nbsp; A\u00a0 psican\u00e1lise e os psicanalistas est\u00e3o sempre \u00e0s voltas com mudan\u00e7as: sejam elas impostas pelo esp\u00edrito do tempo sejam aquelas empreendidas no percurso de uma cura, onde o analista, seu [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-17","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/17","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17"}],"version-history":[{"count":16,"href":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/17\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":358,"href":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/17\/revisions\/358"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornadasebprioicprj.com.br\/2022\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}